terça-feira, agosto 21, 2007

Pela madrugada...



Pela madrugada murmuras-me ao ouvido do outro lado do atlântico

– Hoje, sairia daqui até sem meus sapatos
para te encontrar... jamais perderia tempo em calça-los.

E eu imagino-te de olhos fechados bem juntinha a mim, a tua voz com sotaque.
E chegas no embalo da noite na cumplicidade das trevas
a ternura
e vens
pela madrugada
vens descalça a pisar o chão frio
um misto de prazer e dor
e depois
a surpresa das mãos dadas
a cintura cingida, o teu corpo junto do meu em rodopios no amanhecer
a musica ao longe é uma
musica celestial entoada pelas estrelas
e o sol adormecido, está para lá
do teu olhar ...
João 2007
Fotografia de Maria Corpas

sexta-feira, agosto 17, 2007

Ângulo imperfeito...


Escreves que tens saudades minhas
saudades do meu olhar quando estava contigo

e agora já não

espécie de ângulo imperfeito

o olhar
com que te olho
ou tento
porque o meu olhar é cego já
a vista não te alcança


(…holograma de navio que partes mar adentro na memória…)


João 2007
Fotografia de Georgi Ostashov

segunda-feira, agosto 13, 2007

Espero-te ainda…


Tu não sabes que do outro lado do mundo eu penso em ti
Que te sinto em cada batida do coração a ressoar por dentro dolorido
Que te desejo intensamente. Um vazio estremo
E que o olhar morre lentamente
E as palavras dão à costa naufragadas na memória
E que já não tenho memoria do tempo dos amantes de uma noite.
Não podes saber que as noites agora são sombrias
Os braços de luz do farol se apagaram
O rio secou assoreado nas lágrimas salobras
O mar recolheu a uma terra estranha
E a linha de costa
É uma beira-mar juncada de sargaço morto
E que eu estou aqui ainda
Sentado na beira-rio esperando por ti
Enquanto o frio me invade os sentidos
O mar se recompõe da noite longa e acorda em maresias de sal
A névoa se instala abraçando o mundo
E eu cego tacteio o rumo que me afasta de ti
Espécie de suicídio negro na estrada.
Tu não sabes
Da minha vontade de escutar a tua voz
De te sentir no olhar
De te amar outra vez
Tu não sabes porque és espécie de andorinha que partes
Porque o Verão é doido e parece Outono e te desnorteias
E assim inicias o regresso sempre
E eu fico aqui no outro lado de mim a olhar o mar na noite e o rio e a foz
E o farol apagado que me guiava até ti na lonjura da memória dos tempos…


João, Praia de Fornelos 2007
Fotografia de Pedro Ferreira

quinta-feira, agosto 09, 2007


A esquina da rua é um ângulo abrupto onde eu não te consigo encontrar…
João 2007
Fotografia de Yans Mjolk
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