quinta-feira, dezembro 17, 2009

chove...

se eu fosse água percorria todos os recantos do teu corpo a saciar os poros da pele.

assim és o meu mar de desejos proibidos até um dia...

quinta-feira, novembro 26, 2009

domingo, outubro 25, 2009

se eu soubesse...


Se eu soubesse que ias partir
Tinha ficado na esquina da rua para me despedir
Para te dizer adeus
Para te dizer que me levas
O coração todo teu ainda e sempre

Se eu soubesse

Tinha agarrado as tuas mãos pequeninas nas minhas gastas
E coberto de beijos cada curva dos teus dedos
Os lábios sedentos ainda
A ausência tremenda que fomos sempre para lá do tempo

Se eu soubesse que ias partir
Abandonava o barco e o mar, soltava os sonhos de vento
Ficava na rua à tua porta.
Longa a espera
Longo o retorno do tempo que já não temos

Só este incomodo

Um coração que não deixa libertar o sorriso
É um barco naufragado na entrada do Douro
E as pedras vazias da Cantareira.
O velho farol apagado já permanece obscuro na noite

Se eu soubesse

A tua falta em mim
Repetia-te a palavra proibida sempre e sempre
Até a saber de cor ou a dormir ou a sonhar

Amo-te! Amei-te! Amar-te-ei!
João marinheiro, Ineditos 2009
Fotografia de Barcoantigo em 2008

terça-feira, outubro 13, 2009

depois é a tua forma de amar que não me sai do pensamento

o sabor do corpo nos lábios


o calor do abraço...

domingo, outubro 11, 2009


Isto é tão deserto e sem graça sem ti...
João marinheiro 2009
Fotografia de Barcoantigo em 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

Já não sei
se existes ainda do outro lado do mar
se teimo em te inventar
ou não passamos de uma imensa ilusão no horizonte do mar

já não sei

mas não importa
sinto-te em cada brisa
em cada onda
pelo amanhecer a nascente

sexta-feira, julho 24, 2009

de passagem...


Depois tem sido o silêncio nas palavras
As memórias a definharem
Os vírus no pc
Eu sem noticias....
Sem vontade....
aqui....
Quase
Outra vez
Sempre
De passagem

A outra margem
À margem
De ti
de mim
E o rio a separar…



João marinheiro 2008
Fotografia de barcoantigo em 2009

quarta-feira, julho 15, 2009

Do acto….



Seduzir....palavra vã para quem tem o amor no olhar e a textura da seda nos beijos...

Sobre o que me vai na alma...

Pois
A alma....

Surpreendeu-se e ficou assim como que num sonho fora da realidade abstraída do sitio e do momento
O marinheiro anda deveras cansado...

Vou reencontrar o mar...
velejar...
Desta forma retempero as forças

Depois dou comigo a pensar…

Gosto que estejas super contente!


Gosto de tantas coisas em ti!


De te saber outra vez!


De te olhar outra vez!


E outra e outra e outra...


joão marinheiro 2009
Fotografia de Nuno Bernardo, www.olhares.com

sexta-feira, maio 15, 2009

das palavras ainda...



gosto das tuas citações...

os pedaços que me trazes
os teus autores preferidos

gostava tambem de um abraço teu...

é um vazio

ando sem inspiração para a escrita
deveria escrever
é como uma disciplina...ou um sacrifício
a escrita é um sacrifício
dizia eu à alguns anos atras quando andava meio perdido.
agora encontrei o rumo
tento encontrar.
um destes dias resolvo-me a publicar um livro
deveria fazer isso
afinal estou a desaparecer, a recolher-me, a afastar-me de muitas coisas...um livro fica
são as palavras....

...um dia quando te encontrar na rua
o tempo
todos os dias
todos os minutos
os milésimos de segundo
vão voltar para trás
a um tempo que ficou nosso
e vou saber que és tu
no teu olhar
na tua voz
nas tuas mãos
no calor do teu abraço

até lá

espero
o resto dos dias que ainda faltam
para que chegues
adio a partida de todas as maneiras e finto a memória escassa
para que
quando voltares
se voltares um dia
eu saiba que és tu...



João marinheiro 2009, palavras soltas...
Foto: Deyvis Malta

terça-feira, abril 28, 2009

noite de ausência


Se estivesses aqui, namorava contigo
Nesta noite estrelada de céu limpo.
Beijava teus lábios ternos
E via-me no teu olhar brilhante como as estrelas no céu negro.
Como te queria aqui ao meu lado neste instante.

Assim na tua ausência porque és um sonho ou te imagino
Limito-me a escrever-te
A inventar-te nas palavras
A querer-te nas estrelas
A sonhar fazer amor contigo deitados na areia da praia
Nesta noite limpa e estrelada…

Se estivesses aqui, namorava contigo
Dizia-te ao ouvido
Tudo o que não desabafo no papel.
Porque o que eu queria mesmo era que aqui estivesses
Ou que me desses noticias tuas,
Não esta ausência em suspenso
Este querer e não ter, e não saber que fazer.

Assim na tua falta porque és um sonho ou te imagino
Contemplo as estrelas lá fora
(…E sentado nesta velha poltrona passeio o olhar pela TV.
Passa um filme que fala do fim do mundo, e do amor que resiste…)
Saboreando um whisky, copo atrás de copo até acabar a garrafa
Ou curar a saudade da tua ausência.



João marinheiro
Praia de Fornelos, 2003

Fotografia de Barcoantigo em 2008

domingo, abril 12, 2009

a tua ausência...


...nem sempre escolho a melhor altura ou o melhor modo de falar da ausência, a ausência que consome por dentro, a saudade que se instala. Nem verdadeiramente sei o que é a saudade. Essa palavra que se canta em fado como que a chorar tal a emoção, tal a intensidade, pois as palavras custam a sair…
Como definir a palavra ou o estado de espírito que fico quando penso, quando sinto…
Como dizer-te para que entendas o difícil que é atravessar a tal ponte pênsil invisível feita de três cordas estendidas por sobre o rio das emoções que sinto. Como fazer-te compreender. Como eu entender isto de novo que sinto como uma repetição, uma espécie de dor…lentamente a evitar a paixão.
Tenho de me socorrer do que escrevi faz tempos nem sei….
E dizia assim:

Saudade

O amor ausente é saudade.O amor em silêncio é saudade.O amor gritado, em gritos mudos, é saudade.O amor em poesia, é saudade.O amor em palavras escritas, é saudade.É ela, a saudade, que anda de roda um do outro. E esse rodar, chama-lhe saudade, mas é amor de verdade...

Pois nem sei se é. Não sei e não busco as respostas ou estão implícitas nas palavras e eu não leio, ou finjo porque o poeta é verdadeiramente um fingido, e eu aprendi com o poeta na sua escola da vida dura e sofrida. E também porque já me habituei por conta própria a sentir a ausência, assim estou fortalecido e vacinado acredita. E porque já escrevi em tempos não muito distantes acerca da ausência, estas palavras que se calhar já leste pois são públicas mas recupero nesta carta que te envio, e dizem assim, elas, as palavras que eu senti um dia…

-
“Já me habituei à tua ausência. Ao silêncio do telefone. À caixa de mensagens vazia de notícias tuas. Aos poucos vai a tua imagem desvanecendo-se. Não sei se fico feliz ou triste…Já me habituei a sintetizar as palavras. Deixei de falar ou escrever-te. Sempre que te recordo faço um esforço, cada vez és mais difusa e distante, resumida a um nome que soa estranho. Quero lá saber que não te importes de mim. Quero que te sintas feliz onde te encontras. Tudo o mais são reflexões ou pensamentos ténues. Nunca fizeste parte de mim. Renasci quando te encontrei, mas disso só eu me dei conta. Um dia escrevi que nos tínhamos encontrado na encruzilhada da vida. Uma linha em curva descendente ou em cruz. Hoje não sei quem és e teimosamente porfio em que sejas sonho, e esqueça o sabor de teus lábios suaves. O brilho de teu olhar. O perfume de teus cabelos. A tua voz. A leve tremura de teu corpo quente. Deixo de emoldurar o teu rosto com minhas mãos. Já não nos fitámos de olhos nos olhos.
O importante que era escutar a tua voz! Não o murmúrio constante no vento, imaginando que és tu. Não uma espera de noticias do outro lado da linha. Esta é, dou-me conta, uma linha paralela em todo o comprimento. Jamais nos vamos encontrar…
Teimosamente guardo-te com religiosidade assumida num dos compartimentos do cérebro onde a ciência não chegou ainda. Assim este lugar mágico é só meu, unipessoal, sem número de contribuinte. Virgem. De neurónios em alvoroço ou nervos à flor da pele. Pouco me resta já, que não este desabafo. Estás diluída na luz e no tempo meu amor e confesso, este não é o meu tempo pois que passo pela vida sem me dar conta ou me importar, o meu cérebro treinado vai ciclicamente apagando os registos dolorosos, espécie de ordenador onde um antivírus, de vez em quando faz as reparações necessárias. Guardo só em lugar de acesso com password, a confissão do que sinto. Foste o meu anjo luz que me ofuscou com a frescura da novidade. O renascer. Não foste a cura da ausência mas o unguento que atenua a dor que sinto. Tudo o mais, são palavras escritas disfarçando o sentimento…
- Eu, estúpido!
Teimosamente sinto-me triste e escrevo em tua memória. Não sei se mereces que te guarde na memória. Tu não tens memória. Não és nada dentro e fora de mim. Afora isso és todos os desejos que sinto. Todas as pulsões do sexo e da lascívia Imaginadas numa viagem por mares de gelo e ventos frios.
- Ai sim!
Teus cabelos finalmente soltos, podem espalhar o perfume e suavizar a agrestia do lugar. Já não sei se cheiram a jasmim, ou ao feno dos prados. Não sei se habitas um bosque ou uma cidade em betão.
- Mas diz-me!
Que eu ainda assim quero mudar-me para um sítio onde sinta o cheiro de teus cabelos ou em última instância, um lugar onde o cheiro me leve até ti!
Sabes que gosto das planícies disse-te ao ouvido um dia. Sabes que gosto dos lugares distantes e de ouvir os grilos no calor do verão. De colher cerejas ou apanhar castanhas no Outono. Sabes mas não te importas, por estes gostos simples não fazerem parte de ti…
És uma espécie de monumento em granito e bronze na minha vida, feito de materiais nobres. Portanto eterna. Acompanhas-me em todos os momentos. Já te deste conta do importante que és!
Não paras um minuto sequer para pensares ou me dedicares o momento!
Não sou nada dentro e fora de mim. Como diz o Poeta…”Aparte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”… Mas meu amor, nunca eu fui poeta nem ouso ser, estou portanto em desvantagem. Mas sinto como Ele. O seu amor por Ofélia contido. O seu amor desespero. O Amor suicídio…
Pena não te chamares Ofélia. Ou eu não ser guarda-livros.
No momento invento as palavras. Sintéticas.
-Não te amo!
Mas sinto a tua ausência confesso.
Acusas-me de andar constantemente a repetir-me no que sinto. Penitencio-me!
Tenho de pedir desculpa. Não encontro sinónimo para o amor, ou a sua ausência, ou o que sinto. A sua dolorosa ausência, pois o que tenho pleno, não me chega por não ser o teu. Tenho eu culpa de não encontrar palavras?
És, sabes disso, já to disse ao ouvido, a minha eterna namorada. Assim escrevo-te estas letras, quando quero desabafar. Uns dias triste, outros alegres. Na maioria dos dias acompanhas-me nas viagens que faço Porto-Lisboa-Porto. Quilometro após quilómetro. Eu deixo-me ir abandonado neste lugar de segunda classe. Desperto em sobressalto, pelo som sempre igual das rodas em aço nos carris. Este é o comboio Diesel que me tem levado em viagem. Um imenso inter-rail sempre em direcção ao sul…
Dou-me conta tardiamente que o comboio me afasta de ti. Vai na direcção errada. Mas tu não te importas, ou não te dás conta, ou disfarças a lágrima…
Já não sei verdadeiramente quem és
E interrogo-me?
Porque continuas a ocupar os outros trinta por cento do meu corpo?
E eu aqui! Teimosamente de roda das palavras procurando disfarçar o que sinto.
Escrevendo-te este monólogo que nunca vais ler, por ser um monólogo interrogo-me?
Porquê tu?
Já não sei teu nome. Por onde andas. Quem amas?
Porquê tu?
Espécie em extinção. Aventura dos livros ou dos sonhos.
Pintura de artista anónimo em nu artístico onde reconheço as curvas de teus seios e o azul do teu olhar…
Estranha ausência de mim”…

Que mais te posso dizer para explicar o que é para mim a ausência, a saudade.
Não sei?
Vejo, sinto uma repetição. As palavras estão ai escritas a fogo que queima, que arde lentamente consumindo as energias, poucas que restam, um lume brando e doloroso….
Porque se calhar eu nunca digo o que sinto, espécie de protecção unipessoal.
Assim nesta minha derradeira carta achei que estas palavras que se calhar já conheces poderiam ajudar a definir essa palavra pequena e tão grande por dentro.
Termino porque hoje me alonguei nas palavras…
Com as palavras tuas/dele, Pessoa que tanto gosto – “O mais é nada”!..
E,
Entretanto passa a música dos Clã que me anda nos ouvidos como um ruído persistente, a tal competência para amar… Da qual já falei numa anterior carta

…”Não fosse a minha competência para amar
E nunca teríamos acontecido
Num mundo de competências
E técnicas de ponta
A dadiva da fala
Quase já não conta”…

E depois?


… Não sei se sonhei as palavras. Ainda me perguntas se quero sentir o calor dos teus lábios…





João marinheiro, Cartas 2006 excertos



sexta-feira, março 20, 2009

voltas no ar...


Fica o convite às voltas no ar
Errado no tempo
Podes não acreditar
Ou ter partido já
Mas só o tempo mesmo errado
É testemunha
Que o convite é para ti
Podes não querer
Ou inventar desculpas
Ou não estares por cá
Então
Não me importo
Fica o convite às voltas no ar
Errado no tempo

Sem tempo…
joão marinheiro 2009
Foto de António J.S.

sábado, março 14, 2009

onde erramos...o tempo?


Foi o vazio
O espaço demasiado grande entre as nossas palavras
Tão poucas
Tão exíguas
Que fizeram morrer em nós o sorriso
E apagar os olhos

Agora
Todo este tempo passado
Dou por mim a pensar onde errei
Onde erramos
O amor
Onde erramos o tempo



João marinheiro 2009
Fotografia de Mara Mitchell, www.olhares.com

domingo, março 08, 2009

Rosa de Chantada...


Hoje seria dia para te dedicar rosas
esta rosa

Fotografia de Barcoantigo em 2003

sábado, fevereiro 28, 2009

Os dois na esplanada a jantar...

sexta-feira, janeiro 30, 2009

deixarei....




Para o nu... deixarei que uses a tua imaginação e minhas mãos saberão fazer por você


Dizias-me ao ouvido

Eu a imaginar


As mãos que percorrem os caminhos da ousadia

Dás-te conta?


Pergunto-te uma pergunta sem resposta

Dás uma gargalhada

Isso é o que dá gostar de um poeta!

Assim de uma assentada confessas.


Faço amor e desperto o poeta adormecido muitas vezes ...


(Não te digo

Desnudas-me a alma

Acordas-me)




Um poeta louco é o que sou

Feito das tuas ternuras e afectos…




João marinheiro 2009,palavras nossas...


Foto Grendel, www.olhares.com

sábado, janeiro 17, 2009

senão partir...


Só o rio lento e doce desagua
No frio do mar salgado
Num emaranhado de espuma e sentidos


Eu em contra mão



Que posso fazer mais
Senão partir



João marinheiro 2008

Fotografia de Barcoantigo 2008

terça-feira, janeiro 13, 2009

se...


se eu pudesse levar-te na caravela dos sonhos...
Fotografia de Barcoantigo em 2008

sábado, janeiro 03, 2009

Se eu pudesse morrer hoje



Os dedos na comissura dos lábios
A pele branca
As tuas mãos
Os dedos delgados poisados nos seios claros
Redondos
Firmes
Os cabelos
Um negro a brilhar à luz
Que me cega
A tua visão
O desejo
Procuro-te feito doido pela cidade
A névoa dos olhos o fumo das castanhas assadas
O ruído da rua
As pessoas apressadas
O desejo
A tua visão
Quase
Quase a tocar-te os lábios
Os dedos
Vazios
Ainda

A cidade revisitada outra vez
A cabeça a doer
Se eu pudesse morrer hoje.


João marinheiro, Inéditos 2008
Fotografia de Alvaro Dias
Page copy protected against web site content infringement by Copyscape

Arquivo do blogue