quarta-feira, agosto 27, 2008

Temporariamente em obras...

...É assim que as pessoas se perdem. Se desencontram. Se matam no coração.
Aos poucos. Esta morte é assim, lenta, a esfarrapar a memória, a coçar o pensamento até não restar mais nada que um pedaço de cotão escondido debaixo da alcatifa velha em que nos transformamos...

quarta-feira, agosto 20, 2008

Pequena história da praia …


Era uma praia daquelas em rocha e areia amarela e conchas e seixos a rolarem na maré
éramos os dois a passear na praia
eram duas as mãos dadas
os dedos entrelaçados como as estrelas do mar
a tua na minha
os teus dedos nos meus
era também um dia de sol a brilhar
a praia daquelas com rocha e areia amarela
onde as nossas pegadas iam ficando marcadas enquanto caminhávamos
as mãos eram também duas ainda
eram quatro da tarde, a hora
como se fosse importante, não era. A hora
só o tempo
era também o mar,
importante
naquela tarde pelas quatro da tarde
como se a hora fosse importante
era também o mar
a vir espraiar-se
apagando o rasto de nós
a areia amarela
eram também dois pares de pés
eram a forma dos pés. Os nossos pés
descalços na areia molhada
A caminharem
uns grandes
os meus
outros pequenos
os teus

Eu já te disse como era a praia?

Era uma praia no Cabo do Mundo
era o mundo
o mundo contigo de mãos dadas
duas ainda as mãos
os dedos entrelaçados
e as estrelas do mar…

Hoje sou eu a olhar o mar
as horas
quatro da tarde
coincidência
como se isso fosse importante
a coincidência das horas
se o dia é outro
e o tempo outro também
é ainda o mar
a apagar as marcas tuas
os teus pés pequeninos na areia molhada
e sou eu aqui perdido
sem rumo
a olhar a mão vazia da tua
as estrelas no céu a caírem
a afogarem-se no mar
a misturarem-se nos sargaços
era eu
eras tu
era uma praia de areia e rocha
pelas quatro da tarde.



João marinheiro
Praia de Fornelos 2008
Fotografia de Barcosntigo em 2005

sexta-feira, agosto 15, 2008

ver o sol a adormecer no mar em ti hoje...

a falta que me fazes....

quarta-feira, agosto 06, 2008

a roubar-te um beijo



Eu a roubar-te um beijo. Tu a ofereceres-me a tua boca quente e ávida. Eu a provar-te os lábios e a queimar-me. Tu a deixares. Eu a respirar ofegante. Tu nem por isso. Eu a olhar-te. Tu a fechares os olhos. Eu a agarrar-te. Tu a caíres. Eu a cair. Tu a deixares. Eu a abraçar-te. Tu a seres abraçada. Eu a sentir-me feliz. Tu nem por isso. Eu a dizer-te ao ouvido que te amo, tu em silencio. Eu a pensar que és surda. E tu que não és. Eu a pedir-te. Fala comigo. Tu em silêncio. Tu a abrires os olhos de espanto. Eu a ficar espantado. Eu a ser um ladrão dos teus lábios. Os meus lábios a arderem. Eu a olhar-te de novo. Tu a dizeres finalmente – Não! O dia a acabar. O sol a esconder-se no mar. Os dois aqui. Eu a tentar perceber-te. Tu a complicares-me os sentidos. Tu finalmente a rires. Eu a ficar sério. Eu a olhar-te de novo. Eu a querer-te de novo. A minha boca em busca da tua. Eu a abraçar-te outra vez. Tu a caíres à vez. Eu a cair também. O sol escondido. O amor escondido. O mar escondido. O meu olhar perdido. Eu a cair sem sentidos. Tu a deixares que eu caia de vez. Eu a querer-te. Eu a dizer que te desejo com os olhos. Tu a desviar o olhar a não querer perceber o que te digo quando te olho. Tu a desviares o olhar, eu a perder-me. Eu a perder-te. Os dois a ficarmos perdidos em suspenso no desejo. O mar a dividir. A ponte móvel aberta a separar-nos em cada lanço. Uma bandeira desfraldada a dizer que o nosso tempo acabou. Eu a roubar-te um beijo. Eu a imaginar roubar-te um beijo. Eu a ser preso. Tu a não te importares que eu seja preso. Eu de um lado da ponte tu do outro a ir embora. Eu a partir também. Eu a embarcar. O navio a afastar-se do cais. Os meus lábios a queimarem. A noite a queimar. O corpo a arder. O mar a ferver. Tu a seres mar. O meu mar.

João marinheiro 2008


Fotografia da Net

sábado, agosto 02, 2008

neste momento

queria dizer-te baixinho, olhos nos olhos. (tens uns olhos que fascinam)
baixinho
quase um sussurro. (o vento)
as palavras (não ditas)
do amor que cresce por ti
queria dizer-te
e o tempo em nós é sempre tempo demasiado breve

João marinheiro 2008
Fotografia de Negateven /www.olhares.com
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