sábado, dezembro 13, 2008

Ainda pode ser natal...



Hoje pensei que tu existes em mim como uma sombra
Sempre presente, só que translúcida.


Queimo um cigarro ente os dedos

Folheio o caderno onde te registo como um diário.
Que faço aqui com as palavras?
Sentado a ver a forma redonda com que se entrelaçam

Fumo o cigarro.
Eu sei que me mata por dentro
Tu não sabes, que estou morto por fora faz tanto tempo
Só os olhos brilham quando te penso
E sôfrego, aspiro o fumo amargo a tentar saborear-te
Assim, amarga, a forma das palavras entrelaçadas.

Hoje pensei que existes em mim como um vício
Pura sedução.


Puro engano.

Podia ser natal
Podia ainda ser natal
Tu aqui
A mão estendida.



Nada és, só o fumo breve, translúcido
Do cigarro que me mata

Ainda pode ser natal
?


João marinheiro 2008
Fotografia de Alvaro Dias, www.olhares.com

terça-feira, dezembro 09, 2008

nunca...





e depois nunca te encontro aqui nem ali ao virar da esquina na dobra da rua.

nada!

tudo deserto

sem vento sem brisa
só sombra!



João marinheiro 2008

Fotografia de Alvaro dias, www.olhares.com

segunda-feira, dezembro 08, 2008

um coração inútil




Ainda falta tanto tempo para a morte aqui
Nas palavras amordaçadas
O corpo uma amalgama de ferros retorcidos
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para a noite aqui
Debaixo deste sol que queima
A pele espécie de caminhos a lugar nenhum
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para te esquecer
O amor tão adiado
O querer renegado como uma maldição
E o coração inútil
Inútil


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008
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