terça-feira, julho 29, 2008

sabes...


gosto de te saber ousada a desafiares-me os sentidos...
João marinheiro 2008
Fotografia de Negateven,/http://www.olhares.com/

segunda-feira, julho 28, 2008

terça-feira, julho 08, 2008

dos dias…

Acabam-se as coincidências, as palavras, passado o assombro inicial, o choque frontal do olhar. Afastam-se as cortinas do tempo e deixamos de ser importantes, com interesse, a curiosidade desfeita. A paixão saciada. É o tempo outra vez, o tempo das partidas.
Estoura-me a cabeça por dentro
Queria estar aqui e queria estar longe
Em outro lugar do mundo
Onde os minutos fossem sem tempo e os relógios estivessem parados nas doze horas certas
O sol no zénite a indicar o sul
E o vento a soprar do norte fresco.
Gostava de ti. Gosto de ti
És uma espécie de vento que eu gosto de sentir na pele
Sempre a rondar sempre a saltar de quadrante
A obrigar a manobra de velas
Para ficar de feição
Já não sei
Afeiçoei-me a ti
E agora que me dizes estares de partida
Sinto um enorme cansaço
Cansaço de estar cansado.
A dizeres-me que vais embora também
Levas contigo o brilho dos teus olhos negros
O perfume do teu cabelo negro
A paixão de um dia tão breve e tão intenso
E eu fico sombrio por dentro
A desejar dar-te um último abraço
E não consigo
Os braços caem e ficam pendentes no corpo
As velas a bater, um oceano sem vento
A calmaria podre
A imaginar o amanhã quando não estiveres para te dar os bons dias
Sem saber se os dias que se avizinham são os dias bons ou os dias da ausência
Terei irremediavelmente de te escrever uma carta de saudade ao serão
Das noites frias
Como o condenado a existir só






João marinheiro 2008




Fotografia de Rattus, www.olhares.com
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