sábado, dezembro 13, 2008

Ainda pode ser natal...



Hoje pensei que tu existes em mim como uma sombra
Sempre presente, só que translúcida.


Queimo um cigarro ente os dedos

Folheio o caderno onde te registo como um diário.
Que faço aqui com as palavras?
Sentado a ver a forma redonda com que se entrelaçam

Fumo o cigarro.
Eu sei que me mata por dentro
Tu não sabes, que estou morto por fora faz tanto tempo
Só os olhos brilham quando te penso
E sôfrego, aspiro o fumo amargo a tentar saborear-te
Assim, amarga, a forma das palavras entrelaçadas.

Hoje pensei que existes em mim como um vício
Pura sedução.


Puro engano.

Podia ser natal
Podia ainda ser natal
Tu aqui
A mão estendida.



Nada és, só o fumo breve, translúcido
Do cigarro que me mata

Ainda pode ser natal
?


João marinheiro 2008
Fotografia de Alvaro Dias, www.olhares.com

terça-feira, dezembro 09, 2008

nunca...





e depois nunca te encontro aqui nem ali ao virar da esquina na dobra da rua.

nada!

tudo deserto

sem vento sem brisa
só sombra!



João marinheiro 2008

Fotografia de Alvaro dias, www.olhares.com

segunda-feira, dezembro 08, 2008

um coração inútil




Ainda falta tanto tempo para a morte aqui
Nas palavras amordaçadas
O corpo uma amalgama de ferros retorcidos
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para a noite aqui
Debaixo deste sol que queima
A pele espécie de caminhos a lugar nenhum
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para te esquecer
O amor tão adiado
O querer renegado como uma maldição
E o coração inútil
Inútil


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

sem querer voltar...




Imagino-te


Uma única estrela cintilante


E o brilho


As luzes da cidade onde te desenho o corpo...


João marinheiro, palavras ditas 2008
Fotografia da Net

quinta-feira, novembro 20, 2008

ainda Novembro nas mãos...



Morres-me nas mãos como se nunca te tivesse abraçado
Pergunto-me quem és e não obtenho resposta
Se, eu próprio
Já não sei quem sou hoje


É Novembro adiantado
Este Outono
Sem tempo

O tempo frio do norte a cortar
Lâminas de um gelo cintilante em nós.

Quem somos
O que nunca fomos
Interrogo-me.

A noite vai adiantada
A neblina tolda o olhar
Os passos ressoam na calçada húmida
A rua a descer lentamente em direcção a uma espécie de rio triste

Caminho

Volto sempre aqui, a expiar os pecados
Douro
O rio das expiações

Novembro ainda sem tempo para adiantar os dias
Um minuto seria preciso.

O tempo

Para te olhar, saber
Quem és

Morres-me nas mãos como se nunca te tivesse abraçado!




João marinheiro 2008
Fotografia de Zita, www.olhares.com

segunda-feira, novembro 03, 2008


É difícil transpor esta espécie de abismo
Não sei se é medo

Ou

Possivelmente a falta das tuas mãos do outro lado


O voo
Pode ser um vazio sem fim


E eu. Acredita
Só, sinto-me preso
Saltar é um suicídio das palavras


E já não sei outra forma que esta
Atirar-me para chegar a ti


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo 2003

sexta-feira, outubro 31, 2008

quase perfeito


tu

o poema em mim...

quarta-feira, outubro 29, 2008

hoje...


nos amaríamos

apenas isso

incondicionalmente

sem reservas

assim seria a entrega

verdadeira

sem medos sem pressas

hoje mais do que nunca seria

porque já existimos um para o outro
e

o mistério esta lá fora

acreditas?

acho que sim

e não dentro de nós mesmos

dás-te conta da beleza destas palavras hoje

tudo entre nós é belo...

um cheiro de inocência a perfumar a pele

João marinheiro 2008 palavras escutadas
Fotografia de Leiji Lopes

sexta-feira, outubro 24, 2008

é o coração

ainda

o descompasso

quinta-feira, outubro 23, 2008

às vezes...


Às vezes.


Raras.


Os meus olhos cruzam-se nos teus...

sexta-feira, outubro 17, 2008




é dificil olhar-te sem partilhar as emoções...

quarta-feira, outubro 01, 2008

és ainda...


este mar intenso, esse brilho!



mistério que me faz transgredir a razão…


João marinheiro, palavras escritas
Fotografia de Barcoantigo em 2008

segunda-feira, setembro 29, 2008


nunca vieste


escrever-te tem sido um fracasso em todos os sentidos
João marinheiro, palavras ditas
Fotografia de Barcoantigo em 2008

quarta-feira, setembro 24, 2008

ontem...



















ontem pela madrugada disseste-me ao ouvido como só tu o sabes fazer que ias viajar
quando voltares estarei aqui no nosso lugar mágico à tua espera. Os braços estendidos para o abraço desejado
quando vieres
se quiseres

Fotografia de Barcoantigo em 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008


acordei contigo no pensamento
a cama era estranha e o peso do teu corpo em mim também
sinto-me tão cansado da noite…

20/10/07
Fotografia de barcoantigo em 2008

quarta-feira, agosto 27, 2008

Temporariamente em obras...

...É assim que as pessoas se perdem. Se desencontram. Se matam no coração.
Aos poucos. Esta morte é assim, lenta, a esfarrapar a memória, a coçar o pensamento até não restar mais nada que um pedaço de cotão escondido debaixo da alcatifa velha em que nos transformamos...

quarta-feira, agosto 20, 2008

Pequena história da praia …


Era uma praia daquelas em rocha e areia amarela e conchas e seixos a rolarem na maré
éramos os dois a passear na praia
eram duas as mãos dadas
os dedos entrelaçados como as estrelas do mar
a tua na minha
os teus dedos nos meus
era também um dia de sol a brilhar
a praia daquelas com rocha e areia amarela
onde as nossas pegadas iam ficando marcadas enquanto caminhávamos
as mãos eram também duas ainda
eram quatro da tarde, a hora
como se fosse importante, não era. A hora
só o tempo
era também o mar,
importante
naquela tarde pelas quatro da tarde
como se a hora fosse importante
era também o mar
a vir espraiar-se
apagando o rasto de nós
a areia amarela
eram também dois pares de pés
eram a forma dos pés. Os nossos pés
descalços na areia molhada
A caminharem
uns grandes
os meus
outros pequenos
os teus

Eu já te disse como era a praia?

Era uma praia no Cabo do Mundo
era o mundo
o mundo contigo de mãos dadas
duas ainda as mãos
os dedos entrelaçados
e as estrelas do mar…

Hoje sou eu a olhar o mar
as horas
quatro da tarde
coincidência
como se isso fosse importante
a coincidência das horas
se o dia é outro
e o tempo outro também
é ainda o mar
a apagar as marcas tuas
os teus pés pequeninos na areia molhada
e sou eu aqui perdido
sem rumo
a olhar a mão vazia da tua
as estrelas no céu a caírem
a afogarem-se no mar
a misturarem-se nos sargaços
era eu
eras tu
era uma praia de areia e rocha
pelas quatro da tarde.



João marinheiro
Praia de Fornelos 2008
Fotografia de Barcosntigo em 2005

sexta-feira, agosto 15, 2008

ver o sol a adormecer no mar em ti hoje...

a falta que me fazes....

quarta-feira, agosto 06, 2008

a roubar-te um beijo



Eu a roubar-te um beijo. Tu a ofereceres-me a tua boca quente e ávida. Eu a provar-te os lábios e a queimar-me. Tu a deixares. Eu a respirar ofegante. Tu nem por isso. Eu a olhar-te. Tu a fechares os olhos. Eu a agarrar-te. Tu a caíres. Eu a cair. Tu a deixares. Eu a abraçar-te. Tu a seres abraçada. Eu a sentir-me feliz. Tu nem por isso. Eu a dizer-te ao ouvido que te amo, tu em silencio. Eu a pensar que és surda. E tu que não és. Eu a pedir-te. Fala comigo. Tu em silêncio. Tu a abrires os olhos de espanto. Eu a ficar espantado. Eu a ser um ladrão dos teus lábios. Os meus lábios a arderem. Eu a olhar-te de novo. Tu a dizeres finalmente – Não! O dia a acabar. O sol a esconder-se no mar. Os dois aqui. Eu a tentar perceber-te. Tu a complicares-me os sentidos. Tu finalmente a rires. Eu a ficar sério. Eu a olhar-te de novo. Eu a querer-te de novo. A minha boca em busca da tua. Eu a abraçar-te outra vez. Tu a caíres à vez. Eu a cair também. O sol escondido. O amor escondido. O mar escondido. O meu olhar perdido. Eu a cair sem sentidos. Tu a deixares que eu caia de vez. Eu a querer-te. Eu a dizer que te desejo com os olhos. Tu a desviar o olhar a não querer perceber o que te digo quando te olho. Tu a desviares o olhar, eu a perder-me. Eu a perder-te. Os dois a ficarmos perdidos em suspenso no desejo. O mar a dividir. A ponte móvel aberta a separar-nos em cada lanço. Uma bandeira desfraldada a dizer que o nosso tempo acabou. Eu a roubar-te um beijo. Eu a imaginar roubar-te um beijo. Eu a ser preso. Tu a não te importares que eu seja preso. Eu de um lado da ponte tu do outro a ir embora. Eu a partir também. Eu a embarcar. O navio a afastar-se do cais. Os meus lábios a queimarem. A noite a queimar. O corpo a arder. O mar a ferver. Tu a seres mar. O meu mar.

João marinheiro 2008


Fotografia da Net

sábado, agosto 02, 2008

neste momento

queria dizer-te baixinho, olhos nos olhos. (tens uns olhos que fascinam)
baixinho
quase um sussurro. (o vento)
as palavras (não ditas)
do amor que cresce por ti
queria dizer-te
e o tempo em nós é sempre tempo demasiado breve

João marinheiro 2008
Fotografia de Negateven /www.olhares.com

terça-feira, julho 29, 2008

sabes...


gosto de te saber ousada a desafiares-me os sentidos...
João marinheiro 2008
Fotografia de Negateven,/http://www.olhares.com/

segunda-feira, julho 28, 2008

terça-feira, julho 08, 2008

dos dias…

Acabam-se as coincidências, as palavras, passado o assombro inicial, o choque frontal do olhar. Afastam-se as cortinas do tempo e deixamos de ser importantes, com interesse, a curiosidade desfeita. A paixão saciada. É o tempo outra vez, o tempo das partidas.
Estoura-me a cabeça por dentro
Queria estar aqui e queria estar longe
Em outro lugar do mundo
Onde os minutos fossem sem tempo e os relógios estivessem parados nas doze horas certas
O sol no zénite a indicar o sul
E o vento a soprar do norte fresco.
Gostava de ti. Gosto de ti
És uma espécie de vento que eu gosto de sentir na pele
Sempre a rondar sempre a saltar de quadrante
A obrigar a manobra de velas
Para ficar de feição
Já não sei
Afeiçoei-me a ti
E agora que me dizes estares de partida
Sinto um enorme cansaço
Cansaço de estar cansado.
A dizeres-me que vais embora também
Levas contigo o brilho dos teus olhos negros
O perfume do teu cabelo negro
A paixão de um dia tão breve e tão intenso
E eu fico sombrio por dentro
A desejar dar-te um último abraço
E não consigo
Os braços caem e ficam pendentes no corpo
As velas a bater, um oceano sem vento
A calmaria podre
A imaginar o amanhã quando não estiveres para te dar os bons dias
Sem saber se os dias que se avizinham são os dias bons ou os dias da ausência
Terei irremediavelmente de te escrever uma carta de saudade ao serão
Das noites frias
Como o condenado a existir só






João marinheiro 2008




Fotografia de Rattus, www.olhares.com

segunda-feira, junho 30, 2008



tenho de escrever-te outra carta


uma carta de saudade

segunda-feira, junho 23, 2008

carta de amor...



O acto de escrever. As palavras. Escrevo a prolongar o tempo. Como se desta forma estivéssemos mais próximos. Escrevo-te uma carta que quero longa, prolongada, imensa. A adiar a separação. A adiar as saudades. A dar-te noticias. A falar-te de tudo e de nada. De coisas inúteis. Como se o acto de leres nos mantivesse juntos de novo. A fingir que estás comigo sentada na esplanada a ver o mar, e o vento. São as palavras. E o sol é o calor que sentimos. E o brilho da água reflectido é o brilho do nosso olhar. E as nuvens brancas são o algodão doce dos sonhos da infância. A fingir, o acto de escrever. As palavras a ti outra vez. Mais uma vez. As vezes que forem precisas enquanto me sentir vazio de ti e a querer-te. A imaginar-te. Escrevo sempre para ti. Um amor antigo. Inexistente já. A perdurar como perdura a primeira vez. Os teus lábios nos meus. A tua mão encerrada na minha mão. O calor da tua perna colada na minha perna. O teu sorriso abraçado ao meu sorriso. A tua língua tímida a fugir da minha ousada, e depois tu, plena, vibrante, em tremuras a enleares-te em mim, a respirares-me como se respira a vida de uma golfada, e eu ousado a dizer-te que te desejo, a desnudar-te a alma com o olhar, a desabotoar-te a blusa. Lentamente. Botão a botão. A imaginar os seios fartos prontos a saltarem livres ao toque de seda. A tua pele perfumada. Macia, branca, pura. Eu ávido de ti a fechar os olhos. A percorrer-te com a minha língua atrevida. Tu a gemeres de prazer novo. As tuas mãos a agarrarem-me os cabelos a conduzirem-me. A língua a ir. As tuas pernas a afastarem-se. Tu a revelares-te em gemidos longos. Baixinho. De gata no cio. Eu a provar-te. Tu a revelares-te um vulcão incendiado. As tuas mãos a guiarem-me, a insistirem para que não pare de rodopiar a língua. Tu húmida de desejo. Eu excitado. Quase amor. Tu a ofereceres-me, eu a entrar em ti esfomeado sedento, ofegante, quase amor. Fazemos amor. Foi amor que fizemos, foi amor que demos um ao outro. Cansados a prolongar o tempo. Esta carta a imaginar-te outra vez. A desejar-te outra vez. Sempre. Para sempre. Demasiado. A prolongar o tempo esta carta para que demores a ir. A despedida que custa. Escrevo-te uma carta que quero longa. Que eu queria longa e já não consigo. A falar-te de tudo e de nada. É o nada imenso e esta desolação, esta aridez no peito a crescer, este deserto de areia seca onde procuro as tuas pegadas de um dia. A dizer-te esta carta. Esta tentativa de carta. Só palavras. Só palavras vazias, cheias de intenção. Cheias de querer ainda. Tu a gemeres baixinho, eu a entrar em ti. As tuas mãos a agarrarem-me, a enlaçarem-me as costas, eu a beijar-te a boca. Os lábios pequeninos. Vermelhos. Foi o tempo das cerejas. Eu a beijar-te os seios. Os bicos hirtos excitados. Foi o tempo da paixão. Mel. Eras o mel onde eu poisava em busca do néctar. Eras a flor perfumada a exalar cheiro. A pele branca macia espécie de seda pura. Foi amor que fizemos. Chamemos-lhe amor, a esta falta que sinto tua ainda. Sempre. Para sempre. Demasiado tempo. E depois saímos á rua a passear de mãos dadas. De corpos abraçados. De almas juntas, aninhadas uma na outra, redondas, a fecharem o círculo. Éramos almas redondas, eu em ti, tu em mim. Os olhos brilhantes. O sol a luzir. O vento nos teus cabelos a acariciar-te a face, eu ciumento a querer ser vento na tua face. As palavras a ti em forma de carta de amor sem o conseguir já. A jurar-te amor, a prometer-te amor. É amor ainda, para sempre. Amor. Amor verdadeiro. Amor fecundo. Amor curtido no tempo exposto ao sol e ao vento. Amor gelado no Inverno. Amor florido na Primavera. Amor desnudo no calor do verão. E esta carta com o propósito de te dar noticias. As palavras escassas, rápidas, a lerem-se de uma olhada. Tão breves. Tão leves. E eu a querer que fossem longas, pesadas, cheias, difíceis demoradas. A tua boca. A fonte dos meus desejos. Os teus lábios. O sabor das cerejas que um dia colhemos. O teu olhar. Fazíamos amor com o olhar como só os amantes eternos sabem fazer. Amor. Fazíamos amor com as palavras até. Tu a ofereceres-me o teu sexo quente de desejo. Eu a entrar em ti a satisfazer-te o desejo. A dizer-te baixinho ao ouvido que te amava. Que era para toda a vida. Para sempre. Tu a gemeres de prazer. A tua boca a entrar sôfrega na minha boca. A minha língua a brincar aos esconde esconde com a tua língua. Os teus seios quentes a acariciarem-me o peito pleno. Eu a respirar profundamente a absorver-te em cada poro da minha pele. A ser teu. Tu a seres minha. Era amor que fazíamos. Era amor que sentíamos. Seria amor, chamemos-lhe assim. Eu a abraçar-te. Tu a deixares que eu te abraçasse. Tu a dormir saciada. Eu a olhar-te no silêncio da noite. Pela noite dentro a guardar-te em mim como se guarda um segredo. Como se guarda uma jóia como se guarda o amor. Era amor que sentíamos. É uma carta de amor sem amor nenhum!

João marinheiro 2008
Fotografia de Nuri www.olhares.com

sábado, junho 21, 2008

palavras sussurradas



ele

imagino o vulcão que és por debaixo da pele

ela

não. nem a quentura da minha boca você sabe

ele

pois não sei mesmo

ela

no momento....
é melhor que não saiba
como seria intensa navegando pelo teu corpo todo

Palavras lidas 2008


Fotografia de Nuri http://www.olhares.com/

segunda-feira, junho 09, 2008

sábado, junho 07, 2008

dou-me conta
























faltas-me a bordo...
João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo 2008

terça-feira, junho 03, 2008

talvez

um deslumbramento de luz



ou eu não soube merecer-te...

é isso...






tenho o coração descompassado

e agora?
João marinheiro 2008
Fotografia de barcoantigo 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

se calhar…











só a sofreguidão de ti me torna lúcido como o tempo de hoje


límpido


fresco


primaveril
João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo 2008

segunda-feira, maio 26, 2008

conversa trocada...


















ela:



bah....

há muito que deixei de gostar de ti

só me fizeste mal ao coração!



palavras lidas
Fotografia de Barcoantigo 2008
(a ler com a musica Gimnopedie nº1 em fundo)

sábado, maio 24, 2008

é do mar de Leça que te imagino...

















tenho medo
que me adianta navegar em ti, se o oceano nos teus olhos é um oceano seco já
João marinheiro 2007
Fotografia de Barcoantigo 2008

sexta-feira, maio 23, 2008

dizias-me baixinho

sei que um dos dois irá apenas. Quando e qual não sei dizer

terça-feira, maio 20, 2008

quinta-feira, maio 15, 2008

Porque estou ausente nunca estou...


Queria-te aqui
Queria-te aqui, por favor
Diz-me que vens
Diz!

Quero-te agora neste preciso momento em que os segundos se conjugam com os minutos e os minutos com as horas, as horas com os dias, os dias com as semanas as semanas com os meses e os meses com os anos, os anos com os séculos os séculos com a eternidade
A minha eternidade…

Queria-te aqui
Para chamar-te de meu amor
Minha eterna namorada que amo
Para descansar o olhar triste nos teus olhos melancólicos
Para dizer outra vez que te amo
Faz falta dizer que te amo
Eu sei, eu sei
Digo para não me esquecer de te amar diariamente como tu gostas
Digo para sentir que te amo agora neste intervalo de segundo que fica para lá do tempo presente
Do tempo passado, do tempo ausente da minha ausência que notas
Do meu silêncio que sentes, da minha voz que não escutas
De mim que não estou
Nunca estou…

Queria-te aqui agora ao meu lado
Sentada na minha perna
Enquanto escrevo as palavras que não te digo
Enquanto te entreténs brincando com o meu pescoço em beijos e lambidelas lânguidas
Que me fazem ficar assim arrepiado e alerta
Excitado.
Enquanto me segredas ao ouvido que me queres intervalada com pequenas mordidas
És uma sedutora…

Queria-te aqui
Neste momento
O momento preciso em que a lua dá volta à volta da terra e a terra se volta à volta do sol
Queria-te aqui mesmo neste preciso instante onde não sei por onde andas…
Imagino-te só.
Queria-te aqui para poder descansar o meu braço grande e minha mão tão rude à volta da tua cintura
Afagar a tua barriga deixar subir e descer a minha mão atrevida…
Enquanto escrevo com um dedo
As palavras que não sei dizer-te ao ouvido.
Eu que sou espécie de máquina sem sentido ou sentimento
De olhar como um farol brilhante só e triste na noite longa de insónia.

Queria-te aqui
Para conversar
Neste preciso instante em que uma pomba cai dizimada pelo chumbo mortal no campo imaginado em flores primaveris num sítio qualquer.

Queria-te aqui neste instante
Que uma mãe dá à luz só, com lágrimas, emoção, sangue, e muito amor
Queria-te aqui no momento exacto em que a tesoura num golpe grotesco e frio corta o cordão umbilical
No instante do primeiro grito
No instante do primeiro choro
No instante do primeiro contacto com o seio e o alimento materno
Queria-te aqui no primeiro sono.

Por onde andas?
Escuto as sirenes que gritam
Tocando a rebate
Escuto os clamores no campo de futebol
Escuto a ovação no coliseu
Escuto gritos e choros
Travagens bruscas de pneus no cruzamento
O rangido dos freios eléctricos do alfa pendular apressado em direcção ao sul
E penso
Em ti e em mim
De roda das palavras sentidas
O que me contas o que me escreves
Porque te quero
Porque te queria aqui neste momento em que o CD dá mais uma volta a sete mil e oitocentas rotações por minuto
Demasiado de pressa…

Gosto dos discos lentos a trinta e três rotações por minuto. Pretos, grandes
Gosto de ti lenta
Grande
De madrugada ou pela tarde, ao anoitecer ou na hora da ceia
Em vinte e quatro horas seguidas em dias claro e dias cinzentos
Em semanas de sete dias ou de oito que não sei se existem…
Em meses de trinta dias e em meses de trinta e um dias
Em cada ano seja comum ou bissexto
Gosto de ti
Neste preciso momento
Num século de inventos de idas à lua
Ou das novas gerações de telemóveis
A cores na Tv. digital ou numa velhinha a preto e branco
Gosto de ti
No preciso momento em que tocas à campainha da porta e eu não estou em casa

Ou no telegrama:

Stop! Tu não estavas. Stop! Em casa. Stop!

Gosto de ti ao abrir a caixa de correio electrónico e tenho os 250 megas da caixa cheia de ti…

E dizes:

Que eu não estava em casa. Que tocaste a campainha
Que foste embora
Que mandaste um telegrama na estação dos correios da velha vila
E não conformada
Para que eu saiba que tu estiveste do outro lado da porta
Mandaste mails, correio moderno, frio impessoal, a dizer que eu não abri a porta porque com certeza não estava
E já não sabes se voltas, se vale a pena. Se o encanto perdura, se a inocência se perdeu
Se eu te quero ainda… Que estás confusa e que estás só…

E eu neste intervalo em que te escrevo, o tempo em que se calou a campainha, a chave rodou no trinco, a porta se abriu, chegou o correio, e abri a caixa de mensagens, em toda esta eternidade numa fracção do tempo eterno e cósmico
Eu
Eu só te queria aqui
Neste momento
Para te dizer que te amo
Te amar
Fazer-te minha, só minha, na eternidade
Olhar-te nos olhos beijar teus lábios
Sorrir para ti
Chamar-te de minha eterna namorada
E não me esquecer de te amar todos os dias como tu gostas
Deixar que continues sentada na minha perna enquanto escrevo com um dedo só lentamente…

Queria-te aqui hoje e amanhã
Para te dizer que me podes amar livremente em sonho
Em desejo
Em querer que arde por dentro nas entranhas
Para te dizer que mesmo ausente, é assim que ando
Me podes amar porque te amo também
Um amor grande em segredo, eterno, proibido
E para te dizer que te queria aqui neste momento
Fora de horas
Em que me lembro e não sei de ti…
Porque estou ausente
Nunca estou.

João marinheiro 2005

terça-feira, maio 13, 2008

será assim porque...

de ti em mim já não resta nada

só a violência no peito

a morte da palavra saudade
a fugaz imensa ternura que fomos um dia
João Marinheiro 2008

terça-feira, maio 06, 2008

Possivelmente...

morreste-me

ou sou eu que te mato em mim aos poucos

o coração

terça-feira, abril 29, 2008

sábado, abril 19, 2008

Haverá...

Haverá palavra mais bonita que esta, AMO-TE a dizer tudo o que sinto no peito a transbordar para fora de mim como um rio farto de águas claras ávidas do solo fértil

Haverá palavra mais forte que esta que se assemelha ao aço que veste os navios onde sulco os mares com saudade tua

Haverá palavra mais quente que esta que te murmuro baixinho, ao ouvido, enquanto os teus seios desnudos se encostam ao meu peito quentes a dissiparem o calor do desejo

Haverá palavra mais doce que esta poisada nos teus lábios agora enquanto te roubo um beijo com todo o tempo do mundo marcado a fogo em nós

Haverá?


João marinheiro 2008
Atravessei o frio da montanha

mas foi o eco da tua voz em mim

que aqueceu o sol

sábado, abril 12, 2008

Qualquer dia...

Fartei-me do negro... Queria isto tudo em mar, fica branco?
Qualquer dia descubro a porta ou a tecla.
Qualquer dia...


...Dizes-me que sou doido. Tenho dias!

também tenho tantas saudades do teu corpo proibido
de transgredir as leis da carne e dos sentidos

e ontem

ontem aconteceu-me uma coisa estranha

encontrei uma foto na net

de ti tinha só uma memória cansada, segura por pequenos fios de seda( acho que de seda frágil os fios)

fiquei aflito desalvorossado pela surpresa
agora cheio de saudade
a sofrer a tua ausência e a saudade
sempre a saudade de não te ter já nunca mais

nunca mais é demasiado tempo para mim


o tempo é uma parede em aço corrompido
o tempo cheio de batota

penso enquanto o mar se aninha nas pedras da praia deserta de ti

a praia agora perdeu a cor
o cheiro a maresia que eras tu
o sol que brilhava nos teus olhos

sempre gostei dos teus olhos
ainda gosto
mas já não lhes sei a forma
perdoas-me?

o aço

o único aço que não está corrompido é o das armas

armas de matar
armas de morrer

o sangue liquefeito em ferrugem escorre das mãos

sete chagas coroadas de espinhos para a redenção dos pecados!

João marinheiro 2008

sexta-feira, abril 11, 2008


Somos uma imensidão de surpresas por desembrulhar!
Foto de Francisco Garrett

segunda-feira, março 31, 2008


Que tristeza nos invade a alma agora...

João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008

segunda-feira, março 24, 2008

Tudo...


Perdoas-me?
Tudo!
O que não consegui dizer-te com os meus silêncios.


Perdoas-me?
O desistir
João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008
Excerto do poema em versão completa no memoriasvirtuais

sexta-feira, março 14, 2008

sexta-feira, março 07, 2008

Dou-te a mão


Dou-te a mão para te sentir o contraste da tua quente na minha fria os teus dedos entrelaçados nos meus juntos e olhamos o mar vamos à praia deserta do cabo do mundo onde desejo poisar os meus lábios nos teus agora porque o coração bate desalmadamente como um condenado a amar-te assim desta forma dolorosa expressa nas palavras a medo porque não sei expressar nas palavras ditas e porque as palavras ditas que não digo soam com um som estranho aos meus ouvidos e só eu as ouço as decifro e o olhar revela e fico sem jeito pela falta cometida o confessar no olhar e nas palavras escritas mas o importante é que hoje vou de novo ter contigo matar a saudade adiar a ausência enganar o tempo
João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo Setembro 2007

terça-feira, março 04, 2008

Mar teu...


Deixas-me em silêncio hoje
fiquei em silêncio ontem
e antes de ontem e nos dias todos passados
em que te despedias sem me dizeres
e eu que precisava desesperadamente de ti
para me acalmar a saudade
curar a ausência
secar o sal do mar todo
nos olhos cegos já do horizonte finito
que não há…


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Imaginar...


Imaginar já é começar uma partida.

Vamos?


Estaremos juntos

Nem que seja apenas para olharmo-nos

Assim de próximo

De forma a ver dentro do olhar

Porque tem que ser mesmo próximo

A sentir o calor do corpo

Só assim é próximo o suficiente


Dizias-me pela madrugada hoje...
João marinheiro 2008
Fotografia de Bénedicte Descrus

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Tu...


Observava-te por detrás do copo de cerveja. Via o brilho do teu sorriso. O contorno dos teus lábios, o teu olhar. Sabias que eu te olhava. Sabias. Depois mais tarde, um dia confessaste-me ao ouvido que gostavas das minhas carícias com o olhar.


Porque me enamorava de ti a cada instante eu?


Excerto do texto, De nós e outras derrotas
João Marinheiro 2006
Fotografia de Stéphane Cachée

quinta-feira, janeiro 31, 2008

II


- Olha o mar e diz-me o que sentes!
- Olha o mar e diz-me o que vês para alem de nós!
- Olha o mar e deixa que as minhas lágrimas sequem com a nortada fria...

- É tempo de fechar os olhos e o coração amordaçado!
- É tempo demais para amar neste século inacabado!

Quando eu partir os escombros de nós que ficarem são um amontoado de pedras frias sem epitáfio.


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo 2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

Daqui...


É tudo tão dolorosamente humano...
Fotografia, Barcoantigo 2008

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Por um momento breve


Hoje por entre a chuva e o vento, vislumbrei um arco-íris de braços abertos a espreguiçar-se caindo do céu em arco.

Por uns momentos pensei que eras tu esperando-me num abraço.


Por um momento breve.


Demasiado.


João Marinheiro Janeiro de 2008
Foto, Google

terça-feira, janeiro 01, 2008

Três poemas perdidos ou já não...

Segredo

A timidez pura e bela
Com que teu rosto se espelha
Nas águas o lago límpido
Da imaginação
Leva-me forçosamente a sonhar
No quanto te quero e te amo.

Leça da Palmeira 22/11/82



Infância

O esboço do riso
Que aflora nos teus lábios
Tem ares de misterioso e longínquo
Fazem-me lembrar a infância
Os gritos e brincadeiras felizes
Recorda-me o sorriso inocente das crianças…

Leça da Palmeira 22/11/82



Olhar

Não há vaidade
Na timidez do teu sorrir
Sinto até alegria
Vendo a luz no teu olhar
E o rubor subindo
No teu rosto, de mansinho
Quando teus olhos
Se olham nos meus.


Leça da Palmeira 23/11/82
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