quinta-feira, dezembro 06, 2012

de memória...


Escrevo-te de memória
Sentado no muro do cais na foz
Enquanto o rio corre calmo para o mar
E a noite cai sobre nós
Escrevo-te de memória
Aninhado no teu abraço
No calor do teu corpo enlaçado no meu
Enquanto te afago os cabelos longos
E de olhos fechados te absorvo em mim como um néctar…

 

5 Dezembro 2012

sábado, setembro 08, 2012

Espero-te na esquina do tempo...

domingo, julho 29, 2012

mas sei das limitações das minhas mãos...




E depois fui teu e tu minha, plenos sem fronteiras ou barreiras

Sem medos e fui feliz. Muito. Como faz anos não era.

É pouco para quem quer muito

Mas sei das limitações das minhas mãos

Não posso querer tudo sob pena de não ter nada

Não te posso prender, é isso

E a distância ainda é grande, embora agora a curva seja descendente e se encurte lentamente.

João marinheiro, Maringá 2012

quinta-feira, julho 12, 2012

sim, amo o teu coração faz tempo


O coração é estranho, um cantinho nele pode ser a propria vida...

quarta-feira, junho 13, 2012

tu...

Tu!

Nem comento. Tudo como eu imaginava que és.

O mistério. O encanto. A doçura exótica e perfumada.
Sim, agora sei o brilho dos teus olhos
O cheiro do teu cabelo
O sabor dos teus lábios
Os labirintos do teu corpo esguio…


Tu!
Nem comento. Tudo como eu imaginava que és.


O frio no estômago, o aperto no coração, a surpresa, o desejo
A paz.
Gosto da paz que me transmites, da luz do teu rosto, o sorriso dos teus lábios
Do brilho com que os teus olhos vêem por dentro de mim
Desvendas-me os segredos, revelas-me os desejos
Desnudas-me completamente
E eu indefeso dou-te o abraço prometido faz tanto tempo.
O abraço imaginado
O abraço inventado
Enquanto o coração me soa nos ouvidos e o corpo treme
Porque és tu que me pões assim deste jeito adolescente
Desta forma enamorada.


Tu!
Nem comento. Tudo como eu imaginava que és.

Espero-te porque te sinto próxima
Tão próxima que sinto a brisa da tua respiração pausada
Enquanto dormes e eu te olho na penumbra da noite.
E sinto a ternura em mim
E te cubro de beijos breves para que não acordes
E eu não acorde do sonho de te ter ao meu lado
Enquanto as horas avançam precisas pela noite dentro
Em busca do alvor da manhã

Tu!
Nem comento. Tudo como eu imaginava que és.

Não te falei ainda do perfume do teu corpo que guardo
Do toque dos teus cabelos negros

Do moreno da tua pele
De ti completa. Inteira.
Um abraço intenso, longo, de amantes sem tempo
Porque o tempo nos separa ainda.
Cheiras a jasmim orvalhado e quente
Os teus olhos são pétalas que brilham negros na noite dos amantes
Como se todas as noites não fossem as noites dos amantes
Como se todas as noites não fossem noites de paixão e partilha
A noite nossa.
Como se todas as noites não fossem noites de amor


Tu!
Nem comento. Tudo como eu imaginava que és.

Porque tudo se torna estranho a esta latitude
Rumei finalmente a sul
Cruzei o equador e o mar é azul puro
E tremem as pernas
E bate acelerado o coração
E o tempo torna-se tão escasso em nós


E tu!
És tudo o que eu imaginava que és…


João Marinheiro Maringá 2012

quarta-feira, junho 06, 2012

quase, quase...


Quase quase
Tento chegar a ti
Conto as horas e os minutos que avançam lentos
Tenho o mar na alma e todos os rios rápidos tumultuosos
E o brilho nos olhos que acendes em mim
Tento chegar a ti
Sinto-te próxima
Cada vez mais próxima
Quando chegar, dou-te um abraço longo e envolvente
Tu dás-me a mão e levas-me a ver o teu mar
A tua alma
Tento chegar a ti
Quase quase, a tua pele em mim
E o tempo que nos separa ainda.


João marinheiro Maringá 2012
fotografia de Paulo A Carvalho, olhares.com

sábado, março 17, 2012

da tua pele...



" gosto de ti, nua.
a desafiar-me os sentires
a fazer crescer o desejo em mim de ti nua nesta forma serena e distante
de querer
de gostar
de estar e sentir."

domingo, fevereiro 05, 2012

III


III

Já não te amo.
Sinto só a falta que me fazes todos os dias em que escrevo só, aqui neste pedaço do mundo tão estranho.
A maioria das vezes caminho por esta cidade que eu quis nossa, sozinho.
E sou um estranho de visita tão breve como breve é o desejo ou o arfar do peito.
Caminho a bordejar o Douro. Sempre o Douro. O nosso rio, e já não reconheço os lugares, as pedras da calçada, as pedras do molhe na Cantareira. A Foz. Nada! Já não me reconheço na névoa que me embacia o olhar.
Paro a descansar. A reunir as emoções em forma de palavras frias. A registar o momento tão breve de nós que nunca fomos. Preciso de te registar em palavras. A forma desumana e possível. O amor-perfeito no passado e no futuro mais que perfeito, imperfeito na essência por não ser realizável.
Caminho, os olhos desertos não vêem a luz do sol a espraiar-se nas águas do Douro, o eléctrico que passa amarelo, velho, a reluzir nos trilhos em aço coçados. O guarda-freio antigo de chapéu e fato azul-escuro, afável, e calmo, com todo o tempo que dura a viagem breve demais para que se possa sonhar o tempo.
Já não te amo. Já não quero sonhar que te amo. Já não quero imaginar que te amo. Já não!
O eléctrico tão antigo e tão terno a tilintar em cada paragem. Os trilhos a abraçarem o Douro de mãos dadas. Olho quando passa, e fica-me cá dentro a pintura do eléctrico amarelo e os rostos voltados para dentro de si, fechados. Eu olho, mas não vejo no coração das pessoas, e fico aflito se serei humano, ou um autómato inventado por mente alucinada aqui, nesta cidade tua que eu queria nossa e não consigo.
Caminho
A vida é um jogo.


João Marinheiro Textos Janeiro 2008

Fotografia de Barcoantigo em 2010
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