sexta-feira, janeiro 30, 2009

deixarei....




Para o nu... deixarei que uses a tua imaginação e minhas mãos saberão fazer por você


Dizias-me ao ouvido

Eu a imaginar


As mãos que percorrem os caminhos da ousadia

Dás-te conta?


Pergunto-te uma pergunta sem resposta

Dás uma gargalhada

Isso é o que dá gostar de um poeta!

Assim de uma assentada confessas.


Faço amor e desperto o poeta adormecido muitas vezes ...


(Não te digo

Desnudas-me a alma

Acordas-me)




Um poeta louco é o que sou

Feito das tuas ternuras e afectos…




João marinheiro 2009,palavras nossas...


Foto Grendel, www.olhares.com

sábado, janeiro 17, 2009

senão partir...


Só o rio lento e doce desagua
No frio do mar salgado
Num emaranhado de espuma e sentidos


Eu em contra mão



Que posso fazer mais
Senão partir



João marinheiro 2008

Fotografia de Barcoantigo 2008

terça-feira, janeiro 13, 2009

se...


se eu pudesse levar-te na caravela dos sonhos...
Fotografia de Barcoantigo em 2008

sábado, janeiro 03, 2009

Se eu pudesse morrer hoje



Os dedos na comissura dos lábios
A pele branca
As tuas mãos
Os dedos delgados poisados nos seios claros
Redondos
Firmes
Os cabelos
Um negro a brilhar à luz
Que me cega
A tua visão
O desejo
Procuro-te feito doido pela cidade
A névoa dos olhos o fumo das castanhas assadas
O ruído da rua
As pessoas apressadas
O desejo
A tua visão
Quase
Quase a tocar-te os lábios
Os dedos
Vazios
Ainda

A cidade revisitada outra vez
A cabeça a doer
Se eu pudesse morrer hoje.


João marinheiro, Inéditos 2008
Fotografia de Alvaro Dias

sexta-feira, dezembro 26, 2008

sábado, dezembro 13, 2008

Ainda pode ser natal...



Hoje pensei que tu existes em mim como uma sombra
Sempre presente, só que translúcida.


Queimo um cigarro ente os dedos

Folheio o caderno onde te registo como um diário.
Que faço aqui com as palavras?
Sentado a ver a forma redonda com que se entrelaçam

Fumo o cigarro.
Eu sei que me mata por dentro
Tu não sabes, que estou morto por fora faz tanto tempo
Só os olhos brilham quando te penso
E sôfrego, aspiro o fumo amargo a tentar saborear-te
Assim, amarga, a forma das palavras entrelaçadas.

Hoje pensei que existes em mim como um vício
Pura sedução.


Puro engano.

Podia ser natal
Podia ainda ser natal
Tu aqui
A mão estendida.



Nada és, só o fumo breve, translúcido
Do cigarro que me mata

Ainda pode ser natal
?


João marinheiro 2008
Fotografia de Alvaro Dias, www.olhares.com

terça-feira, dezembro 09, 2008

nunca...





e depois nunca te encontro aqui nem ali ao virar da esquina na dobra da rua.

nada!

tudo deserto

sem vento sem brisa
só sombra!



João marinheiro 2008

Fotografia de Alvaro dias, www.olhares.com

segunda-feira, dezembro 08, 2008

um coração inútil




Ainda falta tanto tempo para a morte aqui
Nas palavras amordaçadas
O corpo uma amalgama de ferros retorcidos
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para a noite aqui
Debaixo deste sol que queima
A pele espécie de caminhos a lugar nenhum
E o coração inútil
Inútil

Ainda falta tanto tempo para te esquecer
O amor tão adiado
O querer renegado como uma maldição
E o coração inútil
Inútil


João marinheiro 2008
Fotografia de Barcoantigo em 2008

quarta-feira, novembro 26, 2008

sem querer voltar...




Imagino-te


Uma única estrela cintilante


E o brilho


As luzes da cidade onde te desenho o corpo...


João marinheiro, palavras ditas 2008
Fotografia da Net

quinta-feira, novembro 20, 2008

ainda Novembro nas mãos...



Morres-me nas mãos como se nunca te tivesse abraçado
Pergunto-me quem és e não obtenho resposta
Se, eu próprio
Já não sei quem sou hoje


É Novembro adiantado
Este Outono
Sem tempo

O tempo frio do norte a cortar
Lâminas de um gelo cintilante em nós.

Quem somos
O que nunca fomos
Interrogo-me.

A noite vai adiantada
A neblina tolda o olhar
Os passos ressoam na calçada húmida
A rua a descer lentamente em direcção a uma espécie de rio triste

Caminho

Volto sempre aqui, a expiar os pecados
Douro
O rio das expiações

Novembro ainda sem tempo para adiantar os dias
Um minuto seria preciso.

O tempo

Para te olhar, saber
Quem és

Morres-me nas mãos como se nunca te tivesse abraçado!




João marinheiro 2008
Fotografia de Zita, www.olhares.com

joão marinheiro

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