domingo, dezembro 30, 2007
Um verão distante...
vazio de mim
desejando-te
e tu és memória difusa
de um dia em que te amei
sinto um vazio pleno de emoções
estou despido, nu de sentimentos
desejo-te
já não sei quem és
memória de um dia antigo
um verão distante.
João marinheiro Junho 2004
sábado, dezembro 22, 2007
Ainda ontem...
…Abro os olhos e o dia já acordou a nascente por cima das montanhas alvas que brilham e eu mentalmente dou-te os bons dias com um beijo imaginado nos teus lábios que sorriem como se estivessem à espera que eu os beijasse e fico feliz a estremecer de amor e de ternura que é uma palavra redonda como o sol que aquece por dentro e por fora os dias de agora que são frios de Inverno natalícios depois fico aqui ainda mais um pouco a pensar e a olhar o resto do mundo enquanto te imagino outra vez ontem e hoje e dou-me conta que só te consigo imaginar sempre ontem porque em nós tudo é ontem um passado demasiado breve como foi breve e curta a tua passagem por mim e pergunto-me e fico sem respostas porque as pessoas são pessoas sempre mas por vezes os olhos é que querem ver mais do que a vista pode mas tu não sabes e eu não encontro maneira de te dizer que volto sempre a ti à tal brevidade redonda que penso que somos os dois puros e sem futuro nenhum e agora já não faz mal porque já passou esse tempo e entretanto cruzam-se outras pessoas na vida que ocupam esses lugares escondidos durante uns tempos até serem descobertos e partirem também e é assim que vamos vivendo dia sobre dia camada sobre camada as vidas todas descobrindo por vezes os lugares do coração o lugar escondido e secreto onde te guardo e recordo os momentos especiais e de saudade depois tu sabes mas eu nem me lembro que é natal agora e fico assim à espera porque este é com certeza e só um tempo de espera e na janela o sol vai alto a espreguiçar e eu já desperto vou embora com um calor nos lábios do beijo que imaginei porque o primeiro pensamento do dia foi para te desejar um bom dia o dia possível enquanto aqui a imaginar-te desfaleço e o pensamento voa e eu tenho pena de não ser mas se fosse escritor escrevia só para ti uma peça de teatro um romance ou o verdadeiro poema que és em mim…
Ontem, excerto
João Marinheiro, Dezembro 2007
Foto Google
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Paciente:
Monitor de plasma Samsung, parecido com o que o Sócrates tinha e que não dava com a impressora…
Abriu os olhos logo pela manhã é verdade, mas algo se passa, varreu-se a memória.
Portanto é um monitor desmemoriado.
Agradecido pela ternura demonstrada e os cuidados enviados na forma de palavras, que por estar assim, lhe soam estranhas.
Às vezes ruidosas.
Outras silenciosas.
Outras não sabe como defini-las.
Na dúvida ficará a conselho da equipe médica que o assiste em repouso mais uns dias, a ver se milagrosamente se conserta, se regenera, se recicla, quem sabe nasce de novo agora que é natal e portanto tudo é possível se, se acreditar com força.
Muita força mesmo.
O próximo relatório será dado se existirem melhoras ou a situação o justifique
Até lá saudinha e muita ternura no coração.
domingo, dezembro 16, 2007
sexta-feira, dezembro 07, 2007
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Desafio...
Estas palavras são consequência do desafio que foi proposto por três blogs que visito:
http://olharemtonsdemaresia.blogspot.com/
http://historiamentiraverdade.blogspot.com/
Desde já o meu obrigado pela partilha das palavras. Não é fácil escrever, não me é fácil escrever a partir de um rumo certo quando eu gosto de me perder sem rumo sem agulha de marear. Ficam estas.

Venho por esta rua descendo a calçada. É noite está nevoeiro, a luz amarela baça, húmida, cria ilusões ao longe. Espécie de fantasmas na escuridão. Há pouco, na estação de São Bento partiu mais um comboio apinhado de gente que vai embora rumo a não sei onde. Escutei o som estridente da máquina eléctrica a despedir-se e lembrei do meu tempo em que tinha uma farda, e tu vinhas comigo até ao Porto, esta cidade que revisito em tua busca. Ando de bar em bar a afogar o desejo teu. Caminho. Já não sei. Se este caminhar me leva a algum lugar distante. Preciso do mar aqui junto de mim. Já não sei nada. Desço a rua íngreme em direcção à Ribeira a ver se o rio me leva ao mar. A minha cabeça estoura por dentro, como uma festa de Agosto com foguetes e girândolas de fogo. Arde o meu coração. Lateja, e eu, cansado levo a mão ao peito num gesto mecânico, a tentar mitigar a dor que sinto por dentro. Faltam as forças. Entro noutro bar a ver se estás aqui. Imagino-te e emborco de um trago um copo de whisky velho como eu. Gosto de ti demasiado é isso. Ainda gosto de ti. Interminavelmente gosto de ti. Irei sempre gostar de ti. A palavra é demasiadamente grande em mim, e fica sempre que a pronuncio uma espécie de silêncio a doer por dentro excessivo. Olho em volta mas não vejo nada já. As luzes piscam a arder em clarões vermelhos verdes e azuis, amarelos e brancos intensos. E eu fico almariado, enjoo do balanço psicadélico que vejo, ensurdeço dos gritos que rasgam a noite neste bar tão cheio de gente estranha que dança, pula, e ri, que se abraça divertida. Olho em volta e os casais de namorados amam-se com os olhos as mãos lábios, corpos. Entregam-se com ardor e paixão. E eu inevitavelmente desejo-te e penso em ti. Porque nunca te roubei um beijo consentido e quente, a matar o desejo dos lábios teus. Queria voltar completo e não consigo ainda me sinto aturdido, com os clarões e o álcool a arder por dentro a afogar a sede, as luzes a piscarem como rotativos de ambulâncias perdidas de dor nas avenidas deste Porto estranho. Há pouco vi a arvore metálica grande, luminosa, ilusória, a enganar-me porque ainda não é natal ainda não sinto cheiro do natal e o nevoeiro cega-me e perco os cheiros natalícios. O pai natal é chinês. Só pode ser chinês. Fecho os olhos. Outro dia e eu aqui os olhos fechados a tentarem disfarçar o tempo das horas.
Chego ao Douro da minha esperança, e a água fria, escura, corre rápida indiferente a mim, ao meu drama interior, à minha desorientação dos sentidos, ao meu desnorte. Sinto-me perdido aqui. Esta terra que eu queria nossa. Esta cidade onde te dei a mão a primeira vez. Esta cidade onde me apaixonei por ti. Esta cidade que eu julgava mágica, porque a magia estava em nós.
Vou embora, sigo a margem do rio. Se perguntarem por mim digo que fui ver o mar todo nos teus olhos.
Sim sou eu, só tu não. Só tu já não és hoje, talvez ontem, talvez. Talvez te veja em contra luz. A luz amarela e baça, espessa, diluída no nevoeiro que me faz doer a cabeça. Chego à foz. A caminhada fez-me bem, serenei o espírito, cansei o corpo, dilui o álcool que corria em mim e me fazia eufórico, ébrio de ti. Descanso no varandim do molhe. Olho o velho farol e penso porque lhe tiraram o sino que badalava certo nos dias de nevoeiro como hoje. Escuto o grito da ronca a avisar do perigo os pescadores companheiros meus que andam perdidos. Já não vou ao mar e a vista enche-se de água salgada também. Viro costas ao mar que abraça a água doce que vem cansada por entre vales de pedra e barcos rabelos e memórias a perder-se de amor enamorada do sal. E o mar aqui a esta distancia é tão diferente e sem brilho. O brilho do teu olhar que eu procuro e sonho, e imagino quando caminho na beira-mar na praia das minhas memórias no cabo do mundo, o meu cabo dos medos. Sim tenho medo. Medo de continuar perdido aqui ainda na beira-mar deste oceano tão terno e tão violento, mas é aqui que eu sou pessoa, homem amor amante. Tudo …É aqui, tu sabes que te imagino sempre. Foi aqui que te imaginei quando regressei anos volvidos do mar, cansado. O corpo dorido dos dias cíclicos de trabalho húmido sem ver a terra. Sem regressar à barra do Douro onde te amei.
Ontem estive aqui. Lúcido. O corpo liberto. A mente desperta. Imaginei-te mais e mais. Acho que me enamorei de ti outra vez. Como se isso fosse possível enamorar-me sempre mais e mais. Estavas tão mas tão bonita ontem e a noite ligeiramente fria, mantinha-me desperto. Fui embora quando o nevoeiro da manhã começou a levantar. Tinha o corpo dormente do frio. Tiritava. Hoje vim de novo em tua demandada ao correr da vaga bar em bar. A descer na cava das vagas altas das garrafas. A naufragar. A ver se me afogava de ti. Se me queimava por dentro. Se o fígado cede primeiro que o coração. Porque o coração não me pertence. É teu faz anos. Teu e do mar que um dia me vai levar para a eternidade…
João marinheiro 06/12/07
Fotografia de Sergio Bangher
domingo, dezembro 02, 2007
Ontem II ...
Ontem, excerto
João marinheiro 2007
quinta-feira, novembro 29, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
Interminavelmente...

quarta-feira, novembro 21, 2007
Caminho...

Caminho.
As mãos abandonadas nos bolsos do casaco seguem protegidas do frio.
Chove.
Tinha saudades da chuva miudinha a escorrer-me na cara. Desço a rua Augusta, passo o arco e dou com a árvore grande. Metálica, que nos impingiram a fingir que é Natal, e me tira a visão para o Tejo que queria ver hoje.
Observo.
Levanto o olhar até ao cimo onde cintila uma luz fria a imaginar que é uma estrela.
Nas alamedas
Protegidos por papelões e jornais dormem homens desfalecidos. O tempo é estranho e abafado aqui. A cidade transforma-se na noite.
Lisboa
A cidade é sempre demasiado grande. Já não é a minha Lisboa de menino.
Caminho.
Dou por mim a pensar e invade-me um medo que vem de dentro e me afasta de ti.
João 2007
terça-feira, novembro 13, 2007
Queria voltar completo e não consigo...
João 2007
sábado, novembro 10, 2007
E o mar aqui...
domingo, outubro 28, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
sexta-feira, outubro 19, 2007
Gosto de ti demasiado...

quarta-feira, outubro 10, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
Quando sorris na praia...
quinta-feira, outubro 04, 2007
domingo, setembro 23, 2007
Desejo...
Quando voltas?
João 2007
sábado, setembro 15, 2007
Um abraço...
domingo, setembro 09, 2007
Quanto tempo...
terça-feira, agosto 21, 2007
Pela madrugada...

Pela madrugada murmuras-me ao ouvido do outro lado do atlântico
– Hoje, sairia daqui até sem meus sapatos
para te encontrar... jamais perderia tempo em calça-los.
E eu imagino-te de olhos fechados bem juntinha a mim, a tua voz com sotaque.
E chegas no embalo da noite na cumplicidade das trevas
a ternura
e vens
pela madrugada
um misto de prazer e dor
e depois
a surpresa das mãos dadas
a cintura cingida, o teu corpo junto do meu em rodopios no amanhecer
a musica ao longe é uma
musica celestial entoada pelas estrelas
e o sol adormecido, está para lá
sexta-feira, agosto 17, 2007
Ângulo imperfeito...
segunda-feira, agosto 13, 2007
Espero-te ainda…

Tu não sabes que do outro lado do mundo eu penso em ti
Que te sinto em cada batida do coração a ressoar por dentro dolorido
Que te desejo intensamente. Um vazio estremo
E que o olhar morre lentamente
E as palavras dão à costa naufragadas na memória
E que já não tenho memoria do tempo dos amantes de uma noite.
Não podes saber que as noites agora são sombrias
Os braços de luz do farol se apagaram
O rio secou assoreado nas lágrimas salobras
O mar recolheu a uma terra estranha
E a linha de costa
É uma beira-mar juncada de sargaço morto
E que eu estou aqui ainda
Sentado na beira-rio esperando por ti
Enquanto o frio me invade os sentidos
O mar se recompõe da noite longa e acorda em maresias de sal
A névoa se instala abraçando o mundo
E eu cego tacteio o rumo que me afasta de ti
Espécie de suicídio negro na estrada.
Tu não sabes
Da minha vontade de escutar a tua voz
De te sentir no olhar
De te amar outra vez
Tu não sabes porque és espécie de andorinha que partes
Porque o Verão é doido e parece Outono e te desnorteias
E assim inicias o regresso sempre
E eu fico aqui no outro lado de mim a olhar o mar na noite e o rio e a foz
E o farol apagado que me guiava até ti na lonjura da memória dos tempos…
João, Praia de Fornelos 2007
quinta-feira, agosto 09, 2007
sexta-feira, julho 20, 2007
Ontem...

Enquanto o dia adormecia nos braços da tarde passaste por mim.
Atravessaste rápido a praça e entraste no Rivoli. Trazias o rosto escondido atrás dos óculos escuros, grandes, na moda. E eu a meio da praça parado fiquei a olhar-te. Não deste por mim e ainda usas o mesmo perfume DKNY. Ficou a pairar a fragrância fresca a frutos exóticos e pétalas de flores.
Continuas bonita e graciosa.
Só não sei se és a mulher que amo ainda ou se te imagino sempre…
João 2007
Fotografia Pablo Danelutto
sábado, julho 07, 2007
Tanto. Tanto…

Imaginas a vontade de te abraçar
A vontade de te sentir
De sentir-te a respirar juntinho a mim. Os rostos colados
Um beijo, só um
Queria-te demasiado hoje
Tocar-te. Sentir as tuas mãos
Tu sabes que o meu olhar te sente
Por isso me dizes para não te olhar
Por isso partes sempre, e quando voltas é de partida que estás.
Só eu fico aqui
Para lá do horizonte a tentar falar-te de amor hoje
E dos barcos que amo. Sempre os barcos
Da alma dos barcos
Só eu fico aqui
Espécie de barco velho abandonado para morrer na praia deserta e estranha
Espécie de amor dedicado
Que vou construindo por dentro e por fora
Por dentro de mim e por fora de ti
Demasiado por fora. Um excesso
Porque hoje queria-te tanto
Hoje
João, Ferrol 2007
domingo, julho 01, 2007
Se te amo que vai ser de mim...

Fiquei a libertar-me de ti, do teu cheiro no meu corpo, entranhado nas minhas mãos.
Abandonei-me na cama fria e estranha, fechei os olhos, não sei se adormeci ou o cansaço me venceu.
Hoje foi um dia extenuante de trabalho. Sinto-me a tremer por dentro ainda. Tu tens ideia, as horas que passo ao volante, correndo contra o tempo nas auto-estradas que rasgam as entranhas dos vales. Corro sempre para ir ter contigo, porque todos os minutos que perco no caminho me parecem minutos que faltam para estar em ti. E depois de olhos fechados os teus olhos negros fitam-me em silêncio no escuro da noite. E eu penso na vida. A minha vida sem ti. Porque me mandas embora sempre. Porque te quero em demasia já. Porque te toco em demasia já. Porque te sonho em demasia já. Mandas-me embora a altas horas da noite e eu vou e perco-me nas ruas, as estradas desertas. A chuva que cai como lágrimas que sinto frias a brilhar nos olhos frágeis.
- Que fizemos os dois esta noite?
Porque nos magoamos, se nos queremos tanto e tanto e tanto já.
É tarde demais.
Esta noite queria fazer amor contigo. Esta noite adiada. É sempre tarde. Tarde demais para abrir os olhos.
Perdi-me demasiado a beijar os teus seios. Demasiado. Demasiado. Fechaste os olhos e eu parti.
- Que fizemos os dois?
Queria ver-te adormecer e não vi. Queria ver-te acordar e parti.
Parti sem rumo de encontro à noite estranha onde me perdi. No leitor de cds do carro só passava aquela música nova do Abrunhosa, LUZ. Sabes aquela que eu te disse gostar muito por me acalmar. Só passava aquela repetidamente. Insistentemente na tentativa de me acalmar, e eu que já só queria fechar os olhos e deixar-me ir. Assustei-me com os clarões azuis. A auto-estrada com chuva a esta hora da noite é traiçoeira. Os rotativos das ambulâncias a rasgarem o negro e o silêncio. Senti um arrepio frio. Pensei em ti. Demasiado. Em ti e em mim
Que fizemos os dois esta noite em que te queria amar e parti? – Que fizemos os dois?
Instintivamente agarrei com mais força o volante, redobrei a atenção na estrada.
Os teus olhos negros ainda me fitam na noite escura.
Se te amo que vai ser de mim?
segunda-feira, junho 25, 2007
De ti, porque quero...

E o corpo todo um caminho que percorro
De encontro aos seios que afago
Enquanto me olhas e te ofereces
Redimida no desejo intenso do amor
Que vejo nos teus olhos onde me banho
Um oceano de ventos e sal e ternura
segunda-feira, junho 18, 2007
domingo, junho 17, 2007
Imagino-te...

Imagino-te
Imagino-te na noite
Enquanto o farol de braços estendidos rasga a escuridão dos céus
Dás-me as tuas mãos que sinto nas minhas
Corre um vento frio na noite escura
Corre a água do rio de encontro ao mar
Encontram-se os lábios num beijo quente
Encontro o teu peito de encontro ao meu
Imagino-te
Imagino-te na noite que avança
Porque a madrugada é um sonho
Olho-te
Um olhar pelo amanhecer
O mar azul abraça-nos pleno
Vais entrando por dentro de mim
Porque me tocas na incerteza do desejo
João 2007
domingo, junho 10, 2007
O momento das mãos...

E vens de vermelho
O tal vermelho...
Vermelho paixão
Vermelho desejo
Vermelho fogo… de ti
Do teu abraço por dentro de mim
Da minha mão presa na tua
E eu preso no encanto teu
Sem obedecer a regras, vivo
A magia do acto único
O momento
Das mãos
Poema partilhado a duas mãos
sexta-feira, maio 25, 2007
Só eu...
A mesa redonda demasiado
Pedi um café e a tal tarte de maracujá invisível ao empregado invisível
Aguardo
Tu não estás nem do lado de dentro nem do lado de fora
Espero.
As palavras não saem
Desespero
Hoje tudo é demasiadamente longo
Os minutos das horas
As horas dos dias
Os dias longos da ausência
À tua espera
sábado, maio 12, 2007
Tão tarde...

E o brilho lâminas de sal no rosto
Escorre nas mãos vazias do marnoto
O rio serpenteia a cidade
Atravesso as pontes em tua demanda
A palavra chega de encontro ao peito dorido
Não sai
Espécie de eclusa reprimida nos lábios secos do mar
Vou descalço aqui
Do outro lado da ponte existe a solidão vazia
A noite veloz
Os olhos querem-te ainda
Tão tarde. Tão tarde. Tão tarde!
As badaladas certas do relógio
João marinheiro 2007
domingo, maio 06, 2007
Blogs que fazem pensar...

Agradeço à Maria do blog; http://ocheirodailha.blogspot.com/
A todos os que me visitam e me lêem. Aos poucos com quem vou partilhando a palavra amigo. A todos os que me detestam. Aos que já partiram e aos que estão para vir o meu obrigado.
E os nomeados são:
Teresa do blog, http://linhasdepensamento.blogspot.com/ pela escrita, a liberdade sentida e entranhada que fica em nós .
Maresia do blog, http://enquantoaonda.blogspot.com/ pela criatividade da escrita, pelo sorriso que provoca, pelo sabor do mar, pelas historias….
Ana do blog; http://ask-im.blogspot.com/ pela paz que se sente a deambular pelas palavras/ imagens, pela força e pelo sonho transmitido.
Cláudia do blog; http://para-sempre-.blogspot.com/ pela divulgação/escolha sempre cuidada da escrita e das palavras.
Cinza do blog; http://cinzaxtulk.blogspot.com/ pelo estado de acalmia das palavras e das imagens em que mergulhamos no seu blog.
A todos os outros que visito e que leio mesmo sem deixar rasto e que também são mercedores de distinção um abraço. Não imaginam a dificuldade em nomear alguém.
João marinheiro
sábado, maio 05, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
quinta-feira, abril 26, 2007
Valeu a pena...

Apenas a amizade
Obtive a negação das palavras passado que foi o momento breve do deslumbre
A negação dos dias vazios
Valeu a pena?
O coração chora
Os olhos secos
Demasiado abertos
Imaginamos a palavra amigo e desbaratamos a amizade.
Os dias são redondos aqui
No outro lado do mundo os dias são oblíquos
E o sol é um sol da meia-noite confuso.
sexta-feira, abril 20, 2007
quarta-feira, abril 18, 2007
sábado, abril 14, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
sábado, março 24, 2007
Bernardo Soares, Livro do Desassossego
(Obras de Fernando Pessoa)

Mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar, e a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas…
…Cansei-me de te sonhar. Cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
Donde te escrevo apenas uma parte de mim não partiu.
Encosto a alma à quilha do navio. Deixo-me ir no vaivém das marés. Da fala. A noite singra a pele. E tu escondias a cara num pano branco e quando fitavas as mãos eu sentia medo de um deus.
Nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum porto de felicidade.
Não me lembro o que aconteceu a seguir.
A noite deixava-se habitar por um silêncio escorregadio.
Veio-me então ao pensamento o grande porto do sul onde aportaras e dizias ter sido feliz.
Quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?
Caminhamos em direcções opostas, caminhamos sem destino pela cidade.
Caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas – onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza.
E no meio deste silencio uma ideia de voz, uma treva agarrada à memória.
Foi então que dei por mim a existir para lá da tua morte, como se asfixiasse, mas o passado não é senão um sonho, uma brincadeira com clepsidras avariadas e algum sangue.
Não valer a pena estar triste
Todas as histórias, todas as mortes acabam por se apagar.
Um barco tremeluz nas cortinas do quarto.
O horizonte é negro. A luz do dia extinguiu-se subitamente.
As mãos com que te toco, luminoso afogado, não são verdadeiras nem reais – porque o tempo todo talvez esteja onde existimos. Embora saibamos que nesse lugar nunca houve tempo nenhum…
Al Berto, O último Coração do Sonho
quinta-feira, março 22, 2007
Preciso de sentir entendes...
Aqueço-te as mãos. – Não! – Porquê? Estão frias!
Toco-te o cabelo agora – não! Porquê? Não posso?
Beijo-te – nem penses! Eu sei. Sou eu a sonhar. Sonho acordado quando estou junto a ti. Não sei sonhar a dormir. Preciso de sentir entendes…

...Faço progressos. Aos poucos aprendo a olhar-te olhos nos olhos. Perco os medos e os anseios. Aos poucos, nos breves momentos em que estamos juntos, te sinto à minha beira de roda de mim. Deixo cair as barreiras. Caem uma a uma, as pedras do muro que construí para me proteger. Dás-te conta do que és capaz. Dás?
Em breves momentos o que transformas em mim. Imagina. Conseguisse-mos parar o tempo e ter um tempo nosso, sós durante um pedaço do tempo. Imagina o que seria de mim sem barreiras sem muros, eu verdadeiro e puro a olhar-te no fundo dos teus olhos. Imagina. Eu sou capaz de imaginar. Imagino-te sempre, mesmo nas horas todas e são tantas em que não sei de ti.
quarta-feira, março 21, 2007
Beijo-te porque a tua boca suplica que te beije.
Trago-te no sangue,
Nas lágrimas,
No noivado das albas,
Nos véus dos crepúsculos.
Continuaria a amar-te
Mesmo que as ausências não fossem (como são)
O calendário solar das memórias que me cabem.
As memórias e o jeito de interroga-las
Pergunto quanto ousaria se estivesses presente:
A harmonia dos gemidos,
A insurreição dos rios
O incêndio das palavras.
Toco o meu corpo e converso com as tuas mãos
Decifro um a um (serenamente) enternecidamente
Os insubornáveis caracteres do desejo.
«Ama-me como se hoje fosse o primeiro
Ou o ultimo dia do mundo», dizes.
E eu deito-me sobre a tua pele
E cavalgo contigo até ao cansaço final.
Hugo Santos
*******
Podíamos saber um pouco mais
da morte. Mas não seria isso que nos faria
ter vontade de morrer mais
depressa.
Podíamos saber um pouco mais
da vida. Talvez não precisássemos de viver
tanto, quando só o que é preciso é saber
que temos de viver.
Podíamos saber um pouco mais
do amor. Mas não seria isso que nos faria deixar
de amar ao saber exactamente o que é o amor, ou
amar mais ainda ao descobrir que, mesmo assim, nada
sabemos do amor.
Nuno Júdice
*******
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Hélder
*******
Estávamos no mês de Março
Na caixa do correio, encontrei um postal
Ilustrado: Menez (guache s/papel).
Era teu. E, entre outras coisas
Que guardei para mim, dizia:
Gosto de ti quando sorris ao meu embaraço
De tanto te gostar. Gosto de ti
Mesmo quando estás longe, no alvoroço
De te ter perto. Gosto de ti,
Mesmo quando não parece
E sempre mais do que parece
Que noite morna me nasceu
Então, no corpo como se fosse estio?
Graça Pires
segunda-feira, março 19, 2007
Das pequenas coisas fortuitas…
...Meses depois encontraram-se. Ele não lhe disse das vezes que lhe apeteceu ligar-lhe.
Foi um encontro fortuito, nada diferente dos poucos encontros anteriores, sempre de fugida, o tempo contra eles, as horas que passam demasiado depressa, a pressa de sair dali, o sitio fechado, não se vê o mar e ele sente-se deslocado no tempo e no sitio, só ela o acalma, mas estão distantes de novo, demasiado distantes. Ele não lhe disse que estava maravilhosamente bonita, que num repente lhe sentiu as mãos frias, que gostaria de lhe ter dado as mãos, mas nunca se tocam as mãos.
Que se passou neste tempo de ausências? Que se vai passar a seguir. Só o tempo o dirá. O tempo esse paliativo que cura. Que avança sem nós, inexoravelmente preciso. Só nós nos deixamos ficar, nos perdemos, nos desencontramos. O tempo não, encontra-se de hora a hora nos minutos e nas horas, todas, a somar às horas da ausência que se sente nos dois. Tudo mudou. Eu estou ali sentado na árvore, junto ao pequeno canteiro de relva, onde as rolas pousam a procurar sementes para saciarem a fome ou a vontade da repetição dos gestos ensinados pela sobrevivência da espécie. Eu estou ali, como fantasma que observo no tempo as distâncias que não se vêem mas se sentem por dentro. Não lhes posso dizer, não lhes posso falar. Só observo, é essa a minha função. Observar pessoas. Eu sou o poeta, portanto não existo, sou uma criação literária. Neste momento, nesta criação habito na árvore. Sempre gostei de árvores, nem sei como se chama esta, mas é um pequeno detalhe, já me habituei a ela. Não sei do tempo que aqui fiquei esperando.
Não lhe disse ele que esta pode ser a despedida. A partida, finalmente cumprido que foi o desejo de a olhar uma última vez. A entrega do livro esquecido faz tempo. Faltou na verdade que eu vi o darem as mãos. As mãos nunca se tocam. Só o olhar acaricia os sentidos. O olhar que diz tanto.
...Nunca lhe diz nada, quase nada, limita-se a estar ali, deslocado no tempo e no espaço, e depois parte de novo. Parte cada vez mais. As idas são sempre ausências prolongadas. Eu fico ali, espero que voltem. Desespero para falar verdade. Mas não existo. Não tenho pensar, não tenho sentir. Não tenho opinião. Estou ali para observar pessoas. Observo pessoas. Tenho a pequena particularidade de poder observar por dentro das pessoas, corro-lhes os circuitos. Quer dizer, diluo-me no sangue, vou a todos os sítios dos corpos. Conheço todos os segredos. Sou um guardião de segredos e de sentires, mas eu não sinto nada, não existo, sou criação literária. Às vezes querem que eu exista. Sobrevivo durante uns tempos, como as modas. Depois sou arrumado de novo esquecido. Eu sou todas as palavras…
As palavras...
João marinheiro 2007
Foto Barcoantigo
sábado, março 17, 2007
Vai
Quero escrever e não sei
Uma ultima vez para ti e não sei
Quero fechar a porta da partida
Usar a palavra, o papel, a escrita
E não sei
Não sei dar-lhes o tom solene
As cores do frágil momento que segue a tempestade:
Tu a partires sem quereres, indo
Eu a fingir que não sentia, fingindo
Para depois o tempo valer
Um punhado de segredos sem segredo
Só o resumo dos medos
A angustia acelerada das mutuas perguntas em corpo de culpa
Justificações amarelecidas, fuga e represálias
É assim outra vez
Mais uma vez igual
sexta-feira, março 16, 2007
segunda-feira, março 12, 2007
As palavras de hoje...

Eu volto
Estas palavras hoje são para ti
João 2007
domingo, março 11, 2007
És um vinho rubro que sorvo...
Um néctar que embriaga
Um vinho tinto cor de sangue que sorvo em pequeno golos
Enquanto tu
Te desnudas ai bem na minha frente
Sensual
Bela, excitante
Num strip
Ousado
Onde desnudas toda a nudez de teu corpo que imaginei durante tempos
És mestra na arte de seduzir
De excitar
E eu parvo, preso na visão de um corpo perfeito
Fico-me pelas curvas de teus seios
As curvas de tuas nádegas firmes, teu sexo
Que deslumbradamente me apresentas
Como um néctar ou uma fruta proibida
Rosada e madura.
Bebo dois tragos longos deste vinho
Cheio de sabores frutados a frutos secos ou aromas silvestres
Com taninos persistentes que perduram na boca numa dança de sabores
Excitas-me despoduradamente num propósito pré definido neste momento
Em que eu perdido inebriado pelo vinho
Me dispo de vergonhas, timidez ou inexperiência
E te observo
Excitado. Pronto!
No máximo dos máximos retidos a custo…
Quero-te agora. Digo-te. Confesso-te o meu desejo carnal
E tu!
Segura de ti.
Dominadora!
Abres o rosto num sorriso largo, casto, com a candura de uma menina inocente encerrada num corpo de mulher na idade da loba e foges, foges de mim
Do desejo animal, do desejo carnal, do meu desejo intenso…
Quero-te no momento, excitas-me, excitas-me para lá dos sentidos ou das pulsões involuntárias
Fico com sede
Bebo mais um trago deste vinho néctar dos deuses, rubro
E quero-te, e foges de novo entre gargalhadas estéricas.
Porque me fazes isto?
Porque me provocas com essas poses lânguidas, sensuais, excitantes
Vejo teu sexo excitado brilhando por entre as luzes desse palco onde te encontras
Em humidades que eu queria sentir na minha língua
Ou sentir-te minha agora que te desnudas despuduradamente
Ai desse lado do vidro que nos separa…
Faço um esforço para imaginar o sabor de teu corpo
O sabor dos teus beijos soltos e livres
Quero-te! Desejo-te!
Como se fosses uma gaivota branca e cinza voando nos céus
Quero-te assim neste preciso instante perfeita em que te sinto no peito.
Meu amor…
Entrego-me nas tuas mãos
Para que me aceites
Assim com defeitos e ausências
E bebas comigo o resto deste vinho perfeito
Em cor de sangue
De coração que sente e bate perdido no peito.
Deixa-me.
Deixa-me afastar as cortinas ou as vidraças que nos separam
Porque és a primeira por quem me embriago com vinho
Com a luxúria e o sabor do teu sexo entreaberto nas pernas
Tuas, perfeitas que afasto
Enquanto me deixo descansar por dentro de ti
Agora, que é como te imagino em danças
De corpos, num bailado sublime de lençóis e gemidos e suores.
E porque me tremem as pernas, e porque me tremem os dedos, e porque não sinto já a dor no peito dum coração desarvorado em rotações loucas
Venho-me em ti
Num espasmo louco de sémen
Que perdura quente etéreo único no momento
Em que gritas de prazer
Me cravas as unhas na pele
E te deixas abandonada, tremendo, ofegante, ir comigo num orgasmo místico
Onde nos perdemos e deixamos de saber onde estamos
Porque escutamos os gemidos suaves
Ou o som abafado e rápido de corações desconhecidos que batem
Ininterruptos diariamente
Na noite e nos dias dos amantes
Que são todos os dias em que tu
Descaradamente te desnudas num strip estudado ao pormenor
De modo a seduzir-me a mim inocente e casto e puro de actos
Perdido num copo dum vinho envenenado
Com o sabor de teu sexo que desejo
E me mostras assim livre com um sorriso no rosto…
Enquanto te passeias nesta sala em que habito
Dentro de mim
E neste copo de vinho que saboreio
Porque és um vinho rubro que sorvo…
João marinheiro 2006
Como me sinto sem ti…
Sabes como me sinto sem ti?
Sem o aconchego da tua voz em mim…
Ando perdido aqui
Cheio de amor transpirando por todo o corpo
Sinto-me vazio sem ti, não somos mais nós…
Estás cada vez mais longe.
Alem, é a distancia que nos separa…
Falta-me a visão para distinguir a tua silhueta inconfundível na multidão
Correr para ti abraçar-te,
Perder-me de encontro a tua boca ávida da minha…
Andas muito calada eu sei
Gosto de ti assim, um silêncio cúmplice
Onde se escuta o mar do silêncio azul profundo
E o bater compassado dos nossos corações em dueto dizendo
Amor! Amor! Amor! Amor!
E porque hoje chove,
E porque esperavas a chuva
Damos as mãos
Vamos sentir a frescura das gotas uma a uma no rosto frias…
Sentir o frio como um gelo que escorrega no peito.
Existimos de roda um do outro, num passe de mágica
Sempre no momento em que o nosso olhar se encontra
No momento em que o nosso corpo se toca
No momento em que o príncipe vem a cavalo e arrebata a cinderela
No momento em que a história deixa de ter um final feliz
E
As palavras
Perdem a candura da inocência
Somos sós, o mar e mais nós…
Resta-nos a palavra para trazer de volta o amor
O teu amor que busco, inventado nas frases tuas em versos…
Que sabem ao salgado do mar, à flor do sal frágil
Brilhando no rosto.
O teu rosto que emolduro na memória com carinho extremo
As lágrimas que vejo assumidas e brilhantes como a lua
O desejo partilhado.
Tantas, mas tantas vezes adiado…
Hoje também eu me sinto em duo
Separado por um fio frágil invisível que me divide ao meio
E o meu meio, passa por dentro de ti, sem te tocar
Maravilha da técnica, da física, ou outra coisa distante.
Fico louco de desejo
Quero-te agora louca
Ou amanhã, doce apaixonada…
Quero-te em dualidade
Doce e louca
De preferência fresca como a água onde te banhas
Ao alvor da manhã ou no acejo da noite
Em qualquer das quatro estações do ano
Mas…
Também eu prefiro o verão, onde te contemplo nua ao sol doirando…
E porque hoje te apetece ser noite calma
Dou-te a mão, levo-te comigo pela beira-rio
Vamos ver os peixes cor de prata brilhando à lua
E sonhar, um no outro
Esperando que a água doce
Encontre o mar ausente por fim…
João marinheiro 2006
sábado, março 10, 2007
Um livro no fim de semana...
…Estou sozinho. Sozinho com o coração em bocados espalhados pelas tuas imagens. Já não posso oferecer-te o meu coração numa salva de prata. Alguma vez o quis? Alguma vez o quiseste? Dava-me agora jeito um deus qualquer para moço de recados. Um deus que te afagasse os cabelos e me recordasse como eram macios. Um deus que me libertasse desta imagem fixa do teu corpo…
…Eu só queria ver de que material era feito o teu amor por mim. Precisava de escangalhar o teu coração para o fazer encaixar no meu…Mas não sei como.
Sem o teu coração não consigo amar – não me abandones outra vez. Logo eu, que amava o mundo inteiro, não é? Amar em abstracto é muito mais ágil que amar em concreto…
Fazes-me falta, Inês Pedrosa
sexta-feira, março 09, 2007

Aquariofilia, Luís Soares
sexta-feira, março 02, 2007
In Daqui a nada

As palavras pequenas
Nestas paredes frias onde me deixo ficar cercado e te invento de memórias
Habituaste-me a não saber de ti e eu verdadeiramente não sei porque me perco aqui onde te escrevo recolhido que estou da luz do sol, do vento e da chuva
E esqueço o mundo
Esqueço-me de viver
Já não te chamo
Nem as palavras pequenas são importantes
Um dia morro e vais ter saudades…
João 2007
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Onde dizia que te amava
E tu não quiseste crer
Agora já não sei se te amo
Ou se isso é importante em ti
O sentimento que guardo meu
Aprendo a viver a memória tua
A despedir-me de ti
A deixar-te ficar esquecida
Como o livro que se leu e arrumou
E só anos mais tarde ao renovar a biblioteca
Te reencontro amarelecida na memória
Como as folhas do tal livro
E se te folheio
Se te leio
Já não me dizes nada
João 2007
e afinal
gosto de não sentir nada
sozinho na calma das horas passadas
tão só numa outra quietude
num sossego tão só sossegado
e esquecido
eu me esqueça de mim
aos bocados
adormece-me um sono dormente
que aos poucos se apaga
um sonho qualquer...
mas não me acordes...
não mexas...
não me embales sequer...
eu quero estar mesmo como eu estou
quietamente
ausente
assim
a viagem em que eu não vou
nunca chega até ao fim
é longe
longe
tão longe
que de repente tu chegas
tu brilhas e luzes
na cor das laranjas
tu coras e tinges
a mancha da marca
na alma da luz
da sombra que finges se eu lembro
tu mexes comigo
tu andas cá dentro
à volta do meu coração
no meu pensamento
também
e por mais que eu não queira
tu queres-me bem
e desdobras o mundo em cores
e levas-me pela tua mão
cativando o meu corpo
a minha alma
a razão
só a tua presença
me inquieta
aquela outra ausência
dói
como um passado projecta
aquele futuro que se foi
p'ra longe
longe
tão longe
que nunca se acaba
esta inquietação
se evitas momentos
já quase finais
e ficas comigo
ainda e sempre
um pouco mais...
Fausto Bordalo Pinheiro, Poeta cantor
coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção:
pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver
o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta:
pode ser a pessoa que
você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for
apaixonante, e os olhos
se encherem d'água neste momento, perceba: existe
algo mágico entre vocês.
Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa
pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a
apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou um presente divino: O AMOR.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por
algum motivo e, em troca, receber um abraço, um
sorriso, um afago nos
cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pró outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida
te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu
sofrimento, chorar as
suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa
maravilhosa: você poderá
contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro
da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas
velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a
noite...
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma,
um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco
por ela...
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a
outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida,
mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam amor passar, sem deixá-lo
acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida:
O AMOR!!!
Carlos Drummond de Andrade
Para que tu me ouças…
As minhas palavras
Adelgaçam-se por vezes
Como o rasto das gaivotas sobre as praias.
Colar, guizo ébrio
Para as tuas mãos suaves como as uvas.
E vejo-as tão longe, as minhas palavras.
Mais que minhas são tuas.
Vão trepando pela minha velha dor como a hera.
Elas trepam assim pelas paredes húmidas.
Tu é que és a culpada deste jogo sangrento.
Elas vão a fugir do meu escuro refugio.
Tu enches tudo, amada, enches tudo.
Antes de ti povoaram a solidão que ocupas,
E estão habituadas mais que tu à minha tristeza.
Agora quero que digam o que eu quero dizer-te
Para que tu ouças como quero que me ouças.
O vento da angústia ainda costuma arrastá-las.
Furacões de sonhos ainda por vezes as derrubam.
Tu escutas outras vozes na minha voz dorida.
Pranto de velhas bocas, sangue de velhas súplicas.
Ama-me, companheira. Não me abandones. Segue-me.
Segue-me, companheira, nessa onda de angústia.
Mas vão-se tingido com o teu amor as minhas palavras.
Ocupas tudo, amada, ocupas tudo.
Vou fazendo de todas um colar infinito
Para as tuas brancas mãos, suaves como uvas.
Pablo Neruda.
joão marinheiro
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